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Evangelização dos judeus – Um chamado à Igreja (Parte 1)

Se Jesus não é o Messias para o povo judeu, ele também não é o Cristo para as nações

Felipe Fulanetto

O conteúdo a seguir foi extraído do Documento Ocasional nº 60 de Lausanne. É uma produção do Grupo Temático “Alcançando o Povo Judeu com o Evangelho” do Fórum pela Evangelização Mundial de 2004 que aconteceu em Pattaya, Tailândia. Trata-se de uma iniciativa da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial.

Como escreveram os autores: “Este texto é divulgado com nossas orações e a esperança de que incentivará nossos irmãos e irmãs no corpo de Cristo a uma nova visão, coração e apelo à evangelização dos judeus”.

Após a introdução (“Não nos envergonhamos do evangelho”), a Parte 1 a seguir tem como título “A aliança de Deus com o povo judeu e a evangelização dos judeus” e traz os seguintes subtemas:

a. O judeu Jesus e os primeiros beneficiários do evangelho

b. Diálogo judaico-cristão após o Holocausto

c. Evangelização dos judeus desde a Segunda Guerra Mundial

d. Documentos a favor da evangelização dos judeus

e. Dabru Emet: contra a evangelização dos judeus

f. A aliança de Deus com Seu povo

g. Pensamento contemporâneo sobre aliança

h. Sobre as reivindicações da verdade

i. Inconsistências teológicas

j. Outras formas de substituição

k. O teste de tolerância

l. Evangelização dos judeus – em nome de quem?

 

Não nos envergonhamos do evangelho

Evangelização de judeus significa compartilhar o evangelho com o povo judeu. Jesus fez isso e os apóstolos fizeram isso. As primeiras comunidades de crentes judeus em Jerusalém e na Galileia fizeram isso. A igreja primitiva tomou forma através do ministério evangelístico de Paulo às comunidades judaicas ao redor do Mediterrâneo. Compartilhar o evangelho com o povo judeu foi o início da evangelização mundial.

Em todas as gerações da história cristã, os crentes judeus em Jesus fizeram parte da Igreja. No entanto, essa história às vezes tem sido conturbada, e a experiência do povo judeu com a igreja, durante vários períodos, foi caracterizada pelo sofrimento. Hoje, a Igreja é convidada a acolher e apreciar a presença renovada dos judeus crentes em Jesus dentro do corpo de Cristo, tanto em Israel quanto em outros países do mundo.

O tema do Fórum de 2004 foi “Uma Nova Visão, uma Nova Paixão, um Chamado Renovado”. A Sessão de Trabalho para Evangelização dos Judeus (STEJ) do Fórum quer desafiar a igreja a:

  • Desenvolver uma nova paixão pelo povo judeu;
  • Adquirir uma nova visão da igreja que é composta pelo povo judeu, juntamente com todas as nações da terra;
  • Demonstrar um chamado renovado para compartilhar as boas novas com o povo judeu em todo o mundo.

Uma Nova Paixão

Numa era de pluralismo global e terrorismo, é hora de a igreja desenvolver uma nova paixão pelo povo judeu. A história dos crimes da igreja contra o povo de Israel ao longo dos tempos não pode ser apagada. Esse registro, como evidenciado pelo Holocausto do século passado, tem sido tão difícil que muitos cristãos são da opinião de que a igreja perdeu sua credibilidade e seu direito de compartilhar o evangelho com o povo judeu. Nesse sentido, afirmamos:

Estamos envergonhados pelas atrocidades da igreja contra o povo judeu e pelo ensino do desprezo que ocorreu ao longo da história da igreja, e nós os condenamos.

Nós nos comprometemos a lembrar dos erros da igreja contra o povo judeu. Somente com essa memória em mente os cristãos podem desenvolver uma nova paixão pelo povo judeu. Essa história trágica também deve ser um espelho através do qual os esforços evangelísticos de hoje podem ser analisados criticamente – primeiro para judeus e também para não-judeus.

Uma Nova Visão

Nesta era da globalização, a igreja precisa adquirir uma nova visão para a salvação do povo judeu e de todas as nações da terra. Quando o povo judeu hoje, juntamente com as outras nações, professa sua fé em Jesus como seu Salvador, é um sinal de esperança para a Igreja e para o mundo. Portanto, também declaramos:

Não nos envergonhamos do evangelho. Nas palavras do apóstolo judeu Paulo, o evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todos que creem: primeiro para os judeus, depois para os gentios” (Romanos 1.16).

Portanto, também nos comprometemos a apoiar uma visão para a igreja que afirma que em Cristo somos um, judeus e gentios, e que somente em Cristo há esperança de salvação para Israel e as nações.

Um Chamado Renovado

Como aqueles que afirmam que apenas o evangelho de Jesus é salvação para judeus e gentios, percebemos que também nos tornamos vulneráveis a acusações de arrogância espiritual, imperialismo religioso e supersessionismo em relação à sinagoga.

No entanto, afirmamos que a evangelização dos judeus e a evangelização mundial não são triunfalistas. A evangelização genuína de judeus e não judeus é realizada somente pela vitória de Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos e chama todas as pessoas a Ele pela fé no Salvador crucificado e ressuscitado. O evangelista que traz as boas novas a outras pessoas precisa semelhantemente receber o mesmo evangelho.

Portanto, nós nos comprometemos a incentivar a igreja em todo o mundo a demonstrar um chamado renovado para compartilhar a graça e a verdade do Senhor com o povo judeu em todos os lugares e novamente reconhecer a importância da evangelização dos judeus.

Há muito em jogo quando alguns na igreja condenam a evangelização dos judeus. Muitos fazem isso hoje em dia sem perceber as implicações teológicas e missiológicas da sua posição. Este relatório descreverá algumas das implicações mais importantes de qualquer falha em evangelizar o povo judeu. Descreverá brevemente o mundo judaico, algumas das questões enfrentadas pelos judeus crentes em Jesus e uma variedade de práticas atuais na área da evangelização dos judeus.

O que está em jogo?

Se Jesus não é o Messias para o povo judeu, Ele também não é o Cristo para as nações.

 

A aliança de Deus com o povo judeu e a evangelização dos judeus

A evangelização dos judeus está acontecendo nos dias de hoje, mas está sob intenso ataque. Muitos cristãos questionam a necessidade e a legitimidade de compartilhar o evangelho com o povo judeu. Esta parte tentará mostrar que, do ponto de vista neotestamentário, a evangelização dos judeus é muito apropriada. Aqueles que se opõem a isso estão, portanto, fora de sintonia com o entendimento bíblico de missões.

 

(a) O judeu Jesus e os primeiros beneficiários do evangelho

Historicamente falando, o cristianismo começou como um fenômeno judaico. Os primeiros a acreditarem em Jesus como Messias eram judeus. De acordo com o entendimento deles, o local da revelação era a terra dos judeus, a fonte da revelação era o Deus de Israel, os primeiros beneficiários da revelação eram os judeus e o personagem principal da revelação era o judeu Jesus. Esse Jesus nasceu de uma mãe judia, recebeu um bom e convencional nome judeu, Yeshua, “a salvação do Senhor”. De acordo com Mateus 1.21, o significado do que Jesus fez é entendido por Seu nome: Ele veio para salvar – para salvar Seu povo – de seus pecados. O tipo de salvação que Jesus/Yeshua ofereceu ao Seu povo é esclarecido aqui. Esse é o tema que permeia todo o Novo Testamento.

Depois que os discípulos de Jesus testemunharam que o Deus de Israel O havia ressuscitado dentre os mortos, e eles receberam o Espírito Santo, eles pregaram o evangelho primeiro aos judeus. O primeiro movimento cristão foi composto por judeus, e esses judeus crentes viam Jesus como o cumprimento das promessas de Deus a Israel. Deus revelou e derramou Seu amor por Israel e pelo mundo através de Jesus. O Senhor tornou conhecido Seu amor providencial e salvador por todos aqueles que nEle creem.

A salvação veio a Israel através de Jesus. Isso significava boas novas também para os gentios. As nações também poderiam obter adoção através Dele. Juntos, judeus e gentios invocam o único Deus de Israel, dirigindo-se a Ele como Abba, Pai, em nome de Jesus e pelo Espírito Santo (cf. Gálatas 4.6-7).

Essa perspectiva fundamental do Novo Testamento é crucial. Se perdermos de vista os primeiros beneficiários do evangelho, seu significado será diminuído para todos os povos. Então, como pode alguém privar o povo judeu ou qualquer outra pessoa da revelação e do derramamento do amor salvador do Deus de Israel?

 

(b) Diálogo judaico-cristão após o Holocausto

O Holocausto tornou-se o ponto de virada decisivo no diálogo judaico-cristão. Esse diálogo influenciou

em grande parte as opiniões da igreja a respeito da legitimidade da evangelização dos judeus.

O diálogo judaico-cristão após a Segunda Guerra Mundial produziu resultados positivos em muitas áreas. Era um diálogo que precisava ocorrer e que precisava levar a Igreja a uma reconsideração de sua própria teologia e prática em relação ao povo judeu. Muitas conferências foram realizadas, e os documentos resultantes chegam às centenas.[1] Algumas das principais questões tratadas em diálogos judaico-cristãos passados são:

  • O Holocausto e o papel da Igreja – reconhecimento de sua culpa.
  • Antissemitismo e antijudaísmo dentro da igreja – reconhecimento de sua pecaminosidade.
  • A criação do Estado de Israel – disposição para considerar isso como um sinal da fidelidade de Deus para com o povo judeu.
  • O Deus de Israel como pai de Jesus Cristo – renúncia ao marcionismo (a posição herética de que Deus, como revelado no AT, não era o Pai de Jesus).
  • As raízes judaicas da igreja – reconhecimento de que o Novo Testamento só pode ser entendido no contexto das escrituras hebraicas (que a igreja chama de Antigo Testamento).
  • A eleição permanente de Israel e a aliança duradoura de Deus com Seu povo – denúncia da opinião de que a Igreja é o novo Israel ou substituiu Israel na história da salvação de Deus.

Essas e outras questões semelhantes merecem uma reflexão renovada e intensificada pela Igreja (tais questões serão tratadas da Parte 4 deste texto). O diálogo para criar entendimento entre diferentes comunidades da fé é valioso, especialmente entre os adeptos do judaísmo e do cristianismo. Preconceitos precisam ser evitados e equívocos, superados. O diálogo pode ajudar as duas comunidades a observar o mandamento: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo”. Tais objetivos são positivos e fazem contribuições importantes para um melhor entendimento.

Ainda assim, questões difíceis permanecem. Se Deus não anulou Sua aliança com o povo de Israel, os judeus ainda precisam de Jesus para a salvação? Esta questão simples, porém complexa, não pode ser evitada.

Do ponto de vista do Novo Testamento, a aliança duradoura de Deus com o povo de Israel não torna a evangelização dos judeus desnecessária. Aqueles que insistem de outra forma não apenas simplificam demais a teologia, mas minimizam a própria essência da nova aliança.

 

(c) Evangelização dos judeus desde a Segunda Guerra Mundial

Na primeira Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em 1948, o antissemitismo foi definido como pecado contra Deus e o homem. As muitas falhas da Igreja em relação ao povo judeu foram reconhecidas. Ao mesmo tempo, afirmou-se que os judeus estão incluídos no trabalho evangelístico da Igreja. Hoje, o CMI, juntamente com outros órgãos da igreja, questiona se o evangelho precisa ser compartilhado com o povo judeu. No decorrer dos diálogos judaico-cristãos, a evangelização dos judeus tem sido condenada com frequência, embora alguns tenham tentado manter a posição de que a igreja ainda tem a obrigação de testemunhar ao povo judeu. No entanto, ao longo dos anos, tornou-se cada vez mais difícil definir a natureza desse testemunho.

Nem todos irão expressá-lo tão categoricamente quanto um teólogo alemão o fez em 1979, quando escreveu que a evangelização dos judeus é o “Endlösung der Judenfrage mit anderen Mitteln” – a solução final para a questão judaica por outros meios. No entanto, a rejeição da evangelização dos judeus foi fortalecida nas últimas décadas. Alguns sugerem que tanto Israel quanto a Igreja pertencem ao único povo de Deus. Assim sendo, nenhum deles pode converter o outro. Portanto, eles concluem que a evangelização de judeus é um anacronismo.

Atualmente, é uma exceção quando denominações cristãs maiores dão seu apoio sem reservas à evangelização dos judeus. Muitas missões cristãs para os judeus, tanto denominacionais quanto independentes, deixaram de existir, enquanto outras redefiniram seu propósito e passaram a fazer algo além da evangelização. A maioria dos fóruns em que ocorre o diálogo judaico-cristão rejeita a evangelização direta dos judeus e a menospreza (como mencionado, isso será tratado na Parte 4). A resistência judaica à evangelização é de se esperar, mas é intrigante que os cristãos privem os judeus do evangelho de Jesus. Afinal, Ele é o melhor presente de Deus, e os gentios O receberam através dos judeus.

É evidente que alguns dos principais obstáculos à evangelização dos judeus hoje não vêm de fora da igreja, mas de dentro dela.

 

(d) Documentos a favor da evangelização dos judeus

Embora a maioria das declarações cristãs recentes falem vagamente ou rejeitem diretamente a evangelização dos judeus, existem algumas exceções. Mencionaremos três declarações que claramente dão um “sim” inequívoco à evangelização dos judeus e que são todas endossadas pela Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (CLEM):

  • Testemunho Cristão para o Povo Judeu (1980);
  • A Declaração de Willowbank sobre o Evangelho Cristão e o Povo Judeu (1989);
  • Manifesto de Manila (1989).

Esses documentos afirmam que o povo de Israel continua sendo o povo da aliança de Deus e, como tal, tem um papel contínuo a desempenhar na história da salvação de Deus. Essas declarações também rejeitam a ideia de que a aliança duradoura de Deus com Israel torna desnecessária a fé em Jesus. A obrigação de compartilhar o evangelho com o povo judeu permanece. Essa responsabilidade permanece, mesmo após o Holocausto.

É compreensível que os judeus discordem de uma visão tão positiva da evangelização. Sua discordância foi expressa em termos tão claros que geralmente são evitados nas relações judaico-cristãs. Em reação à Declaração de Willowbank, o então Diretor Nacional de Assuntos Inter-Religiosos da Comissão Judaico-Americana chamou de “um plano para o genocídio espiritual que é empregado por cristãos através do antigo ‘ensino do desprezo’ aos judeus e ao judaísmo”. Em outros lugares, ele se referiu à Declaração como “mal-intencionada” e “arrogante”. O Presidente da União das Congregações Hebraicas Americanas na época descreveu a Declaração como “retrógrada e primitiva” e “o pior tipo de imperialismo religioso cristão”.[2] Essa linguagem não cria uma atmosfera construtiva para a discussão de opiniões diferentes.

 

(e) Dabru Emet: contra a evangelização dos judeus

No início do terceiro milênio, notamos uma mudança radical de posição. Para ilustrar melhor, considere um documento judaico intitulado Dabru Emet: Uma Declaração Judaica sobre Cristãos e o Cristianismo. Ele foi publicado por um pequeno grupo interdenominacional de estudiosos judeus no ano 2000.[3] Dabru Emet significa “Fale a Verdade” em hebraico (Zacarias 8.18).

Dabru Emet contém as oito teses seguintes:

  1. Judeus e cristãos adoram o mesmo Deus.
  2. Judeus e cristãos buscam autoridade no mesmo livro – a Bíblia (o que os judeus chamam de Tanakh e os cristãos, de Antigo Testamento).
  3. Os cristãos respeitam a reivindicação do povo judeu sobre o território de Israel.
  4. Judeus e cristãos aceitam os princípios morais da Torá.
  5. O nazismo não foi um fenômeno cristão.
  6. A diferença humanamente irreconciliável entre judeus e cristãos não será resolvida até que Deus resgate o mundo inteiro como prometido nas Escrituras.
  7. Um novo relacionamento entre judeus e cristãos não enfraquecerá a prática judaica.
  8. Judeus e cristãos devem trabalhar juntos por justiça e paz.

Uma introdução à declaração afirma que os últimos anos testemunharam “uma mudança dramática e sem precedentes nas relações judaicas e cristãs”. A transformação é atribuída aos cristãos que não mais caracterizam “o judaísmo como uma religião fracassada ou, na melhor das hipóteses, uma religião que preparou o caminho e se completa no cristianismo”. Ele sustenta, com razão, que “um número crescente de órgãos da igreja, católicos e protestantes, fez declarações públicas de seu remorso sobre os maus-tratos cristãos contra os judeus e o judaísmo”. Nessas declarações, os cristãos reconheceram “a aliança duradoura de Deus com o povo judeu e celebram a contribuição do judaísmo à civilização mundial e à própria fé cristã”.

Dabru Emet afirma ainda que chegou a hora de os judeus aprenderem sobre “os esforços dos cristãos para honrar o judaísmo”. Já que o cristianismo mudou sua opinião sobre o judaísmo, segue o raciocínio, chegou a hora de os judeus refletirem sobre “o que o judaísmo pode dizer agora sobre o cristianismo”.

Dabru Emet assume a posição de que “o culto cristão não é uma escolha religiosa viável para os judeus”. Com essa suposição central, o documento continua: “Como teólogos judeus, nos alegramos que, através do cristianismo, centenas de milhões de pessoas entraram em relacionamento com o Deus de Israel”. Além disso, ele mantém as posições mutuamente contraditórias de que “os cristãos conhecem e servem a Deus por meio de Jesus Cristo e da tradição cristã. Os judeus conhecem e servem a Deus através da Torá e da tradição judaica”.

Esse sentimento parece promissor para as relações entre judeus e gentios? Alguns cristãos sentem uma grande tentação de concordar com o documento Dabru Emet. No entanto, a maior obrigação de todos os cristãos é a quem é a Verdade.  Esse compromisso deve impedir que os cristãos sigam o caminho que Dabru Emet propõe. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6). As seções a seguir fornecem mais explicações.

 

(f) A Aliança de Deus com Seu povo

“Aliança” e “eleição” são termos-chave no Antigo Testamento e são de suma importância para a compreensão da identidade judaica hoje. De maneira semelhante, “aliança” e “eleição” são conceitos centrais no Novo Testamento e de suma importância para a identidade cristã e para o correto entendimento da igreja.

O Deus de Israel não anulou a eleição incondicional de Seu povo Israel. Essa declaração simples é contrária ao que muitas vezes tem sido afirmado pela Igreja através dos tempos. No entanto, corresponde ao pensamento bíblico e ao entendimento encontrado entre a maioria dos envolvidos na evangelização dos judeus nos últimos dois séculos.

Deus chamou Abraão dentre as nações para estabelecer uma aliança universal com o patriarca e sua descendência para ser uma bênção para todos os povos da terra (Gênesis 12.1-3). Essa promessa inclui a preservação eterna de Israel para cumprir o propósito de Deus (ver Jeremias 31.35-37). Paulo ecoa a promessa em Romanos 11.1 quando diz: “Acaso Deus rejeitou seu povo? De maneira nenhuma!“. Novamente, em Romanos 11.28-29, ele afirma: “[…] mas quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas, pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis”. Deus, portanto, preservou Israel e não terminou com o povo judeu em Seu plano redentor.

Quando Cristo veio morrer pelo perdão dos pecados e depois ressuscitou, Ele cumpriu a promessa da nova aliança (Jeremias 31.33-34) e também a promessa a Abraão (Gálatas 3.15-29). Depois que Cristo subiu ao céu, o Espírito Santo foi derramado sobre Seus discípulos na festa judaica de Pentecostes. Eles receberam o Espírito de Deus como sinal da ratificação da nova aliança (Atos 2.32-36). Nos dias dos apóstolos, um remanescente do povo judeu reconheceu esse cumprimento profético singular e recebeu o Messias em fé. Da mesma maneira, um remanescente sempre pertenceu à nova aliança no corpo de Cristo. Enquanto uma parte de Israel continua a não acreditar no Messias de Deus, permanece a vontade de Deus que a Igreja alcance o restante de Israel em todas as gerações até o dia em que “todo o Israel será salvo” (Romanos 11.26).

Paulo não descreveu a Igreja como tendo substituído Israel na história da salvação de Deus. Ele também não isentou o povo de Israel do evangelho de Cristo para a salvação. Paulo deixa claro em Romanos 10.9 que: “Se você confessar com a sua boca que Jesus é o Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.” Quanto ao caminho da salvação, “não há diferença entre judeus e gentios” (Romanos 10.12).

O pensamento contemporâneo sobre aliança, que dominou o recente diálogo judaico-cristão, coloca erroneamente judeus e gentios em posições diferentes para receber a salvação. Quando a importância da pessoa única de Jesus para a salvação de todas as pessoas é rejeitada ou diminuída, a teologia e a missão cristãs sofrem irreparavelmente.

 

(g) Pensamento contemporâneo sobre aliança

O pensamento da aliança que tem dominado o diálogo judaico-cristão é frequentemente descrito como teologia das duas alianças ou teologia da dupla aliança. Essa descrição não é precisa. Às vezes, também é apresentada uma teologia da aliança única, na qual o cristianismo é visto como uma espécie de judaísmo para os gentios. Além disso, alguns teólogos das duas alianças realmente subscrevem uma teologia de múltiplas alianças ou um pluralismo de alianças, em que o Deus de Israel tem um relacionamento de aliança com todas as pessoas e todas as religiões. Essas noções não surgiram apenas na era moderna.

No início da Idade Média, estudiosos judeus consideravam os cristãos adoradores de ídolos. A partir do final do século 13, houve uma concessão. Se os gentios queriam acreditar em Jesus como o Messias, em Sua divindade e na triunidade de Deus, isso não deveria ser desafiado, mas os judeus que mantinham tais crenças ainda eram considerados adoradores de ídolos.

Somente no começo do século 20, a teologia – ou melhor, filosofia – sistemática ensina a noção dos dois caminhos para a salvação. O filósofo alemão-judeu da religião, Franz Rosenzweig (1886-1929), desempenha um papel importante nesse assunto. Ele chegou bem perto de abraçar o cristianismo, mas depois reconsiderou. Segue abaixo uma citação famosa de Rosenzweig de 1913, na qual ele se refere a João 14.6 e Lucas 15.31.

 

Estamos de pleno acordo quanto ao que Cristo e sua Igreja significam para o mundo: ninguém pode vir ao Pai senão por Ele. Ninguém pode vir ao Pai! Mas a situação é bem diferente para quem não precisa vir ao Pai, porque Ele já está com ele. E isso é verdade para o povo de Israel…[4]

 

Essa pobre exegese de João 14.6 e da parábola do filho pródigo em Lucas 15 ainda serviam a um propósito apologético. Segundo Rosenzweig, o povo judeu não precisa de mediador. O judeu já está com Deus. Os gentios, no entanto, precisam de um mediador, o judeu Jesus. Segundo Rosenzweig, judeus e gentios, portanto, se complementam. Ambos têm um papel dado por Deus a desempenhar no mundo. Antes de Rosenzweig, nenhum pensador judeu havia falado tão positivamente sobre o cristianismo. O tom é igualmente positivo no pensamento atual da aliança. Os argumentos podem variar, mas as principais conclusões são as mesmas. Em primeiro lugar, que Deus tem uma aliança duradoura com o povo de Israel que não foi anulada. Em segundo lugar, essa aliança torna desnecessária a fé em Jesus para os judeus e, em terceiro lugar, essa fé em Jesus trouxe os gentios a um relacionamento de aliança com o Deus de Israel.

Muitas pessoas acham que esse pensamento moderno da aliança (e suas variações) soa quase “evangélico”. Cria-se uma ilusão de que foi encontrada uma resposta para a difícil relação entre judaísmo e cristianismo. Ambos são vistos como iguais e desejados pelo mesmo Deus. Ambos têm uma designação divina neste mundo. Não há competição entre as almas judias ou gentias. Portanto, a missão cristã ao povo judeu deve terminar. Sugere-se que a igreja cristã não precisa mais se culpar pelo fracasso em levar o evangelho ao povo judeu. A Igreja foi, portanto, libertada do que anteriormente considerava uma obrigação missionária dada por Deus. Isso aconteceu, supostamente, não por uma proibição negativa, mas por uma razão teológica positiva. Mas será que é assim tão simples?

De fato, Deus tem uma aliança duradoura com Seu povo Israel. Sim, os gentios encontraram um relacionamento de aliança com o Deus de Israel através da fé em Jesus. No entanto, judeus e gentios só podem desfrutar da bênção prometida dessa aliança duradoura através da fé em Jesus. A realidade desse relacionamento é confirmada pelo dom do Espírito Santo.

 

(h) Sobre as reivindicações da verdade – Como se o judaísmo e o cristianismo não fizessem reivindicações da verdade!

Dabru Emet tenta fazer parecer simples quando afirma que “os judeus podem respeitar a fidelidade dos cristãos à sua revelação, assim como esperamos que os cristãos respeitem nossa fidelidade à nossa revelação“. No entanto, essa é uma simplificação excessiva do que está em jogo. O assunto é muito mais complexo. Um estudioso judeu, crítico do Dabru Emet, definiu o que está em jogo para o judaísmo e o cristianismo. Ele escreveu: “Dabru Emet não está errado ao chamar a atenção para escrituras comuns e ‘lições semelhantes’. O problema é que isso reduz o que não é comum a meras diferenças de opinião – como se as duas tradições não fizessem reivindicações da verdade”.[5]

Realmente é fácil “respeitar” um ao outro quando o que os separa é reduzido a mera diferença de opinião e assuntos de pouca importância. É necessário um “respeito” genuíno pela revelação do outro. O “problema” é, no entanto, que o ponto focal da revelação cristã é que o Deus de Israel fala e age em e através de Jesus, e que Ele o faz por amor ao povo de Israel. Se esse aspecto da revelação cristã é ignorado, é esvaziado de seu conteúdo real.

É apropriado perguntar de onde veio a afirmação de que o povo judeu precisa do evangelho para a salvação? Uma igreja gentia triunfalista posterior a inventou? Não! Ele se originou quando os discípulos judeus de Jesus pregaram o evangelho pela primeira vez a peregrinos judeus na festa judaica de Pentecostes. A respeito de Jesus, eles alegaram que “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12).

O próprio Novo Testamento afirma exclusivamente que a salvação só pode ser encontrada através da fé em Jesus. Os cristãos não-judeus que ingressaram na igreja posteriormente não podem ter honra nem culpa pela declaração. Portanto, a evangelização dos judeus não pode ser rotulada corretamente como antissemitismo, antijudaísmo ou supersessionismo (isto é, substituição da fé judaica).

 

(i) Inconsistências teológicas

É inquestionável que o testemunho neotestamentário apresenta Jesus como o Messias para o povo judeu. No entanto, a aceitação da sua messianidade somente pode ser dada através da fé. Alguns podem ter a visão de que Jesus era um falso Messias ou um Messias fracassado. Afirmar que Jesus é irrelevante para a salvação do povo judeu, embora seja relevante para a salvação dos gentios, é antibíblico e ilógico.

A teoria das duas alianças e suas expressões recentes parecem uma solução natural para a relação entre judaísmo e cristianismo a partir de uma perspectiva judaica moderna. Não é fácil entender como os teólogos cristãos podem defendê-lo à luz da lógica autodestrutiva sobre a qual repousa.

Como pode o mesmo Jesus ser o Salvador para todo o mundo e, ao mesmo tempo, não ser o Salvador do povo judeu desse mundo? Jesus veio primeiro a Seu próprio povo judeu com o convite radical para receber o amor salvador de Deus e com o chamado igualmente radical de segui-Lo em obediência. Portanto, como Ele pode deixar de ser relevante para o mesmo povo judeu? Deus seria inconsistente e partidário se Ele oferecesse um meio de salvação que só é acessível e relevante para os gentios e não para os judeus.

Jesus não é um judeu irrelevante e nem uma irrelevância judaica. Se Ele não é o Messias para Israel, então Ele não é Cristo para as nações.

Jesus é o Messias para todos, ou Ele não é o Messias.

 

(j) Outras formas de substituição

Com base no Novo Testamento, os judeus precisam do evangelho para a salvação tanto quanto qualquer outra pessoa. No entanto, é surpreendente que haja cristãos que creem na Bíblia que estão ansiosos para proclamar o evangelho a todos os outros povos, mas que excluiriam o povo de Israel da missão evangelística, substituindo a proclamação do evangelho por atos de caridade. Como é que alguns cristãos deixam a porta entreaberta para uma salvação a Israel que exclui Jesus? Alguns exemplos disso são mencionados abaixo.

O diálogo cristão com o povo judeu pode ser benéfico. No entanto, o diálogo que se torna um substituto para a missão não cumpre a ordem de fazer discípulos.

Os cristãos que ajudam no retorno do povo judeu ao Estado de Israel mostram genuíno cuidado e compaixão. No entanto, se a ajuda e a compaixão se tornam um substituto ou um obstáculo à pregação de Jesus aqui e agora, então não corresponde ao mandamento de fazer discípulos de todas as nações.

Os cristãos podem dar apoio político e financeiro ao Estado de Israel. No entanto, se esse apoio se tornar um substituto para a missão evangelística entre os judeus, então não corresponderá ao mandamento de fazer discípulos de todas as nações, incluindo a nação de Israel.

As crenças escatológicas sobre o futuro de Israel no plano de salvação de Deus são importantes. Contudo, se esse pensamento sobre o futuro de Deus para Israel se tornar um substituto para a evangelização dos judeus aqui e agora, algo está errado. Independentemente de como o futuro de Israel possa se desenvolver nos planos de Deus, o tempo para o povo judeu ouvir sobre a salvação é hoje.

Uma falsa alternativa à atividade missionária cristã organizada é encontrada na alegação de que o testemunho cristão aos judeus consiste apenas na qualidade amorosa da vida comunitária. Mas um não impede o outro. A atitude amorosa da vida cristã é uma disciplina apropriada, mas a fé vem de ouvir o evangelho (Romanos 10.17). A Igreja não nasceu apenas através da vida comunitária dos apóstolos, mas também através de sua proclamação pública do evangelho e de sua atividade missionária.

Essas formas evangélicas de “teologia de substituição” são obstáculos ao avanço do evangelho entre o povo judeu. Elas são tão prejudiciais à causa do alcance do povo judeu pelos cristãos quanto outras formas de teologia de substituição foram para a apreciação da igreja do lugar de Israel na história da salvação.

 

(k) O teste de tolerância

Sem dúvida, as acusações de supersessionismo e triunfalismo religioso continuarão sendo levantadas contra aqueles que aderem à evangelização dos judeus. Cristãos, entre os quais estão judeus crentes em Jesus, que encontraram a graça de Deus e estão comprometidos com a Verdade no evangelho, podem viver com tal acusação.

Os pluralistas religiosos defendem a tolerância para com os outros, mas muitas vezes são intolerantes com aqueles que acreditam na revelação da verdade absoluta. Tanto o judaísmo quanto o cristianismo fazem isso, e os membros dessas comunidades de fé devem tomar nota. Vale a pena refletir sobre a afirmação de um pensador judeu, o falecido Arthur A. Cohen. Ele disse: “O teste da tolerância é quando os homens lutam pela verdade, mas honram as pessoas”. Como indivíduos chamados para um ministério de evangelização dos judeus, devemos aceitar esse teste e, com a ajuda de Deus, obtermos êxito.

Embora Cohen não possa ser visto como favorável à evangelização dos judeus, vale a pena notar que ele acrescentou:

 

Não posso, em sã consciência, opor-me à atividade missionária aos judeus, e eu apoio o testemunho missionário aos cristãos. É uma atividade que não considero gratificante, pois a atividade é projetada mais para permitir ao missionário testemunhar a si mesmo do que fazer com que o incrédulo acredite. É evidente que onde a psicologia especial do agressor é a autojustificação, a tentação de deturpar, ser conivente e insinuar, enganar e iludir é muitas vezes grande demais. Mas se ser missionário é testemunhar, não de si mesmo, mas da verdade, e se é no discurso da verdade que o missionário confronta os receptores da missão, isso é justificado.[6]

 

Todos os envolvidos na evangelização mundial devem prestar atenção a esse aviso, pois os missionários devem evitar o perigo da autopromoção. Deve haver diretrizes para a conduta ética na evangelização, autoexame e reflexão apropriados em relação à motivação.

Os pensadores da aliança contemporânea, assim como todos os envolvidos no diálogo judaico-cristão, deveriam levar mais a sério as reivindicações divergentes da verdade vindas das respectivas comunidades religiosas. É uma perda para o judaísmo e o cristianismo que muitas concessões teológicas sejam feitas em questões críticas, no interesse da aceitação mútua.

Aqueles que estão comprometidos com a evangelização dos judeus não estão dispostos a desistir da convicção de que os judeus precisam de Jesus, apesar do fato de que alguns representantes do judaísmo contemporâneo estejam dispostos a reconhecer os cristãos como um povo que tem um relacionamento de aliança com o Deus de Israel. É estranho que esses judeus se afastem do fato fundamental das escrituras hebraicas de que Israel é o povo escolhido, para substituí-lo pela ideia de que Israel é apenas um dentre muitos outros povos escolhidos.

Os cristãos precisam reconhecer Israel como o povo escolhido para entender corretamente seu próprio relacionamento com o Deus de Israel por meio de Jesus, o Messias – o escolhido de Deus. Uma teologia biblicamente consistente prioriza a verdade acima da mera tolerância.

 

(l) Evangelização dos judeus – pelo bem de quem?

1. Pelo bem dos judeus

A aliança contínua de Deus com o povo judeu não anula o fato de que eles precisam de Jesus para ter a salvação. A aliança também não implica que eles são salvos de maneira diferente dos não-judeus. A fé vem através de ouvir o evangelho e, portanto, o evangelho precisa ser proclamado ao povo judeu. Um “sim” à evangelização dos judeus garante que o povo judeu não seja privado da possibilidade de salvação pela fé em Jesus. Não há base no Novo Testamento para se dizer que Israel tem qualquer qualificação que perdoe pecados além da fé em Jesus.

2. Pelo bem da Igreja

A evangelização dos judeus leva a Igreja a um contato próximo com o povo judeu. Isso é importante para a própria Igreja. Isso a obriga a denunciar qualquer forma de marcionismo. Um contato próximo com o povo judeu afia o entendimento da Igreja sobre suas raízes bíblicas. As raízes da Igreja podem ser encontradas na história da salvação de Israel. A estrutura da Igreja é construída sobre Israel e a esperança da Igreja está intimamente ligada a Israel. A Igreja tem uma autocompreensão incompleta sem Israel. Um “sim” à evangelização dos judeus apresenta à Igreja o desafio de entender seus laços com Israel e o Deus de Israel. O fato de esses assuntos serem discutidos dentro do diálogo judaico-cristão não isenta a Igreja de lidar com eles.

3. Pelo bem da evangelização mundial

A evangelização dos judeus não é um chamado mais alto ou mais importante aos olhos de Deus do que a evangelização de outros povos. No entanto, a evangelização dos judeus tem um papel teológico e missiológico único a ser desempenhado. A evangelização dos judeus sustenta que, se as pessoas historicamente mais próximas de Deus precisam do evangelho para a salvação, então todas as outras pessoas também precisam do evangelho.

Quando a legitimidade e a necessidade da evangelização dos judeus são questionadas, a porta está aberta para o universalismo religioso. A singularidade de Jesus seria negada.

4. Pelo bem dos judeus crentes em Jesus

Os judeus crentes em Jesus são frequentemente excluídos por seu próprio povo por sua fé em Jesus. Eles precisam de compreensão e apoio do restante da Igreja. Um “não” à evangelização dos judeus deixa os judeus crentes em Jesus isolados. Eles não seriam apoiados nem pela comunidade judaica nem pela Igreja.

5. Pelo bem do amor e da glória de Deus

Finalmente e fundamentalmente, a evangelização dos judeus é necessária por causa do amor de Deus e para Sua glória. Um “não” à evangelização dos judeus implica que a morte de Jesus pelo pecado foi insignificante e levaria a uma grande omissão da Grande Comissão. Um “não” à evangelização dos judeus priva o povo de Israel do amor salvador de Deus. Um “sim” à evangelização dos judeus abre a porta para o povo judeu compartilhar da glória divina conforme revelado na nova aliança ou “novo testamento”.

A Igreja deve considerar esses assuntos e voltar a endossar e se comprometer com a evangelização dos judeus.

Há muito em jogo.

Se Jesus não é o Messias para o povo judeu, ele também não é o Cristo para as nações.

Ou Jesus é o Messias para todos ou Ele simplesmente não é o Messias.

 

Escrito originalmente em inglês, o texto foi traduzido por Lailah de Noronha para publicação pelo Martureo com a devida autorização.

 

[1] Para uma enorme coleção de documentos, consulte (1) Rolf Rendtorff e Hans Herman Henrix, eds., Die Kirchen und das Judentum: Dokumente von 1945 bis 1985 (Paderborn/München: Bonifatius Verlag/Christian Kaiser, 1988); (2) Hans Herman Henrix e Wolfgang Kraus, eds., Die Kirchen und das Judentum: Dokumente von 1986 bis 2000 (Paderborn: Gütersloher Verlagshaus/Christian Kaiser/Bonifatius Verlag, 2001).

[2] Veja Kai Kjær-Hansen, “The Problem of the Two-Covenant Theology” em Mishkan 21 (1994), 56-57.

[3] Dabru Emet (setembro de 2000). On-line: www.jcrelations.net. Os livros solidários ao Dabru Emet incluem (1) Tikva Frymer-Kensky e David Novak, Peter Ochs, David Fox Sandmel e Michael Signer, eds., Christianity in Jewish Terms, (Boulder, Colorado/Oxford: Westview Press, 2000); (2) Carl E. Braaten, Robert W. Jenson, ed., Jews and Christians: People of God, (Grand Rapids/Cambridge: Eerdmans, 2003).

[4] Veja Nahum N. Glatzer, Franz Rosenzweig: His Life and Thought (Nova York: Schocken Books, 1953), 341.

[5] Jon D. Levenson, “How Not to Conduct Jewish-Christian Dialogue” em Commentary (Dezembro, 2001), 31-37.

[6] Arthur A. Cohen, The Myth of the Judeo-Christian Tradition, (New York: Schocken Books, 1971), 216-217.

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