In Missão no Século XXI

Perguntas para o Movimento Missionário Brasileiro

Marcos Amado

No final dos anos 70 Deus começou a mover a igreja evangélica brasileira de maneira especial para assumir sua responsabilidade missionária. Surgiram centenas de agências missionárias, e milhares de missionários brasileiros foram enviados para diferentes partes do mundo. Apesar da impetuosidade com a qual alguns foram enviados, sem o preparo e treinamento adequados, na Sua misericórdia grandes coisas fez o Senhor. Minha família e eu tivemos o privilégio de fazer parte de uma dessas primeiras “levas” e, em 1986, fomos enviados para o Marrocos, um país árabe muçulmano.

Mas a percepção que eu tenho depois de ter ficado 23 anos fora do Brasil é que nós, evangélicos brasileiros, ainda precisamos fazer uma reflexão séria sobre o nosso papel no movimento missionário mundial do século XXI.

Para isso, algumas das questões que precisamos considerar seriamente são:

  1. Às vezes tenho a impressão de que no nosso subconsciente temos um adágio que diz “Alçarei meus olhos para o Norte de onde virá nosso socorro”. Digo isso porque há pouca comunicação e cooperação entre os cristãos do Sul global. Precisamos conhecer melhor a Igreja e os movimentos missionários da Nigéria, Egito, Índia, China, assim como de outros países e, dessa forma, promover um intercâmbio de ideias, estratégias e recursos que potencializem o trabalho missionário.
  2. Existe a necessidade urgente de uma reavaliação do que deveria ser o treinamento missionário do cristão no século 21. Parece que estamos falando e fazendo a mesma coisa ao longo dos últimos 30 anos. Quais mudanças são necessárias e qual deve ser o conteúdo básico?
  3. No processo de envio do missionário, será que estamos confundindo qual deve ser o papel da igreja, do Seminário Teológico, do Centro de Treinamento Missionário e o da Agência Missionária? Será que é por isso que há tamanha proliferação de pequenas escolas bíblicas e centro de treinamentos, alguns deles com não mais que oito ou dez estudantes, e os mesmos professores dando as mesmas aulas nesses diferentes centros missionários e escolas bíblicas ao redor do Brasil?
  4. Qual deve ser o papel da agência missionária? Será que, sem mudanças significativas em suas propostas, as agências não estão correndo o risco de se tornarem irrelevantes para os jovens vocacionados, devido às grandes mudanças sociais, eclesiásticas e tecnológicas das últimas décadas?
  5. Será que nas nossas pregações e treinamentos missionários não estamos ensinando os cristãos a serem antagônicos em relação a pessoas de outras religiões? Ou seja, em vez de ensinarmos como amar, estamos ensinando como nos defender ou mesmo atacar pessoas de outras religiões? Será que não precisamos definir melhor nossa teologia bíblica das religiões?
  6. Em 1925 o missiólogo e missionário à Índia Stanley Jones disse que naquela região do mundo o cristianismo estava “indo além das fronteiras da Igreja Cristã”.[1] Hindus estavam aceitando a Cristo como o Senhor de suas vidas, mas sem estar integrados ao que tradicionalmente entendemos por igreja. Isso foi há quase um século! Hoje Deus continua agindo de maneiras incríveis ao redor do mundo. Estamos vendo hindus, muçulmanos, budistas e pessoas de outras religiões rendendo-se aos pés de Cristo de maneiras inusitadas. Será que estamos preparando nossos missionários para aceitarem o que Deus está fazendo?

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude, como movimento missionário, a encararmos as perguntas difíceis e, dessa forma, sermos melhores testemunhas do Senhor Jesus e de todo o seu ensinamento, em todo o mundo e em todas as esferas da sociedade.

Existe a necessidade urgente de uma reavaliação do que deveria ser o treinamento missionário do cristão no século 21. Parece que estamos falando e fazendo a mesma coisa ao longo dos últimos 30 anos.

Quais mudanças são necessárias e qual deve ser o conteúdo básico?

Hoje Deus continua agindo de maneiras incríveis ao redor do mundo. Estamos vendo hindus, muçulmanos, budistas e pessoas de outras religiões rendendo-se aos pés de Cristo de maneiras inusitadas. Será que estamos preparando nossos missionários para aceitarem o que Deus está fazendo?

 

[1] The Christ of the Indian Road, Abingdon Press (1925), New York, 63.

Comments

Recommended Posts