Queimadas devastadoras e a Missão da Igreja

Queimadas devastadoras e a Missão da Igreja

Compreendendo e reivindicando nosso chamado de cuidar da Criação

por Tim Carriker

A ti, Senhor, eu clamopois o fogo devorou as pastagens e as chamas consumiram todas as árvores do campo – Joel 1:19

Os incêndios da floresta amazônica na época de seca chamaram atenção dos líderes políticos e de organizações eclesiásticas do mundo todo, não somente pelo seu número e intensidade, mas também pelo impacto ambiental mundial e pela reação dos governantes brasileiros e estrangeiros.

No entanto, a floresta continua a queimar, e os incêndios são somente parte de uma rede extremamente complexa de eventos relacionados à crescente crise planetária.[1] Eles levantam questões importantes sobre como os cristãos devem responder à esse tipo de situação. Este artigo aborda todas essas questões: os incêndios, seu impacto e significância global, as respostas dos governos mundiais e nacionais, assim como orientações gerais sobre como os cristãos devem responder.

Imagem 1: Contorno do mapa do bioma amazônico (em branco) e bacia amazônica (em azul claro)

A close up of a map Description automatically generated
Direitos Autorais: Creative Commons, 6 de Março de 2017

Os incêndios na Amazônia

Como filho, irmão e tio de bombeiros locais, eu cresci sabendo do perigo dos incêndios. Durante meus estudos no sul da Califórnia, eu vi, em primeira mão, os efeitos em larga escala que os incêndios podem ter sobre grandes áreas, exigindo uma resposta rápida de bombeiros de diversos estados vizinhos.

A Amazônia engloba cerca de 8 países, 10% da biodiversidade mundial conhecida, 6.300 quilômetros de rios são responsáveis por 15 a 16% da descarga fluvial nos oceanos.

O custo dos incêndios na floresta amazônica acaba entrando numa categoria totalmente diferente, por conta do tamanho da região e de seu papel na estabilidade ecológica do planeta:[2]

  • A floresta engloba oito países (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname) e o território da Guiana Francesa.
  • A região de 6,7 milhões de quilômetros quadrados do bioma amazônico tem o dobro do tamanho da Índia.
  • É a maior floresta tropical que nos resta e representa mais de metade das florestas tropicais que ainda restam no planeta, sendo o habitat de 10% da biodiversidade mundial que conhecemos.
  • Seus 6.300 quilômetros de rios são responsáveis por 15 a 16% da descarga fluvial nos oceanos.[3]

No entanto, desde 1985, esta região imensa de biodiversidade perdeu 17% de sua cobertura florestal. Cerca de três quartos do desmatamento foram causados pelas queimadas intencionais para criar áreas de pastoreio e solo para a agricultura, assim como para preparar solo previamente cultivado para as próximas lavouras. Quando a devastação chegar nos 20 a 25%, as mudanças no ecossistema amazônico serão irreversíveis, transformando o que hoje é floresta em algo mais semelhante a uma savana, de acordo com Carlos Nobre da Academia Brasileira de Ciências.[4]

Os incêndios em áreas que não eram cultivadas anteriormente são somente o último passo do desmatamento. Primeiro as árvores são cortadas e deixadas para secar, meses mais tarde são incendiadas para desobstruir a terra. Até a primeira semana de setembro de 2019, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) havia registrado mais de 100 mil focos de incêndio no Brasil durante aquele ano, o número mais alto desde que o instituto começou a manter registros e um aumento de 43% comparado com o mesmo período no ano anterior – e mais de metade dos incêndios foram na floresta amazônica.

Continuar lendo

Fonte: Lausane.org

Compartilhe!
0
    0
    Seu carrinho
    Seu carrinho está vazioVoltar para as compras