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A pandemia do coronavírus e o BAM

7 coisas que podemos fazer

Mats Tunehag

Os efeitos do coronavírus são mais do que perturbadores. A situação está mudando a cada hora. As consequências variam de difícil a terrível para bilhões de pessoas, e ninguém sabe qual é o cronograma para esta crise.

A mídia no mundo inteiro atualiza-nos constantemente sobre os efeitos negativos nos negócios e na vida das pessoas, então, este pequeno artigo terá um foco diferente: o que podemos fazer?

Mas primeiro vale notar que, ao longo da história, a Igreja teve um forte histórico em servir as pessoas em meio a grandes catástrofes.

O sociólogo Rodney Stark escreveu (em A Ascensão do Cristianismo) que uma das razões pelas quais a igreja superou a hostilidade e cresceu tão rapidamente dentro do império romano remonta à forma como os cristãos responderam às pandemias da época, que provavelmente incluíram a peste bubônica e a varíola. Quando as infecções se espalharam, os romanos fugiram de suas cidades e vilarejos; e os cristãos ficaram pra trás para amamentar e alimentar não apenas seus parentes, mas seus vizinhos pagãos. (Vivendo em Tempo de Peste – Philip Yancy)

Quando a Igreja fez isso por séculos e por que nós deveríamos fazer isso agora? Uma razão fundamental é que devemos amar a Deus e ao próximo, e ambos estão conectados.

Como o Bispo Barron costuma dizer:

Por que esses dois mandamentos estão tão fortemente ligados? Por causa de quem Jesus é. Cristo não é simplesmente um ser humano, e ele não é simplesmente Deus; em vez disso, ele é o Deus-homem, aquele em cuja pessoa divindade e humanidade encontram-se. Portanto, e impossível amá-lo como Deus sem amar a humanidade que ele abraçou. O maior mandamento é, portanto, uma Cristologia indireta.[1]

Muitas empresas estão enfrentando desafios com fluxo de caixa, bloqueios, vendas, demissão de funcionários, interrupções na cadeia de suprimentos, falências etc. Então, o que podemos fazer agora?

Deixe-me sugerir sete áreas de ação no que diz respeito às empresas BAM (Business as Mission [Negócios como Missão]) e à comunidade global BAM. Convidamos você a também adicionar suas sugestões (envie para chairs@bamglobal.org).

1. Ore

  • Busque a Deus, ouça-o.
  • Ore pelos BAMers e pelos negócios BAM.
  • Ore por sabedoria.
  • Ore por pensamento criativo e soluções inovadoras.
  • Use a oração BAM – St. Patrick, disponível em cinco idiomas.
  • Pergunte aos amigos nos negócios como você pode orar por eles.
  • Inicie ou junte-se a grupos de oração on-line para BAMers e empresas.

Veja também o blog de Larry Sharp para obter algumas ideias de objetivos de oração relacionados ao BAM.

De que outra forma podemos orar por BAMers e negócios BAM?

2. Compre

Podemos ajudar as empresas BAM contratando seus serviços e comprando seus produtos:

  • Apoie as empresas locais comprando seus produtos e seus serviços quando for possível.
  • Compre on-line.
  • Antecipe suas compras de Natal.
  • Compre presentes para a família, vizinhos e pessoas carentes.

De que outra forma podemos ajudar empresas locais e distantes?

3. Dê

Existe uma necessidade por capital financeiro, intelectual e social.

Empréstimos:

Muitas empresas enfrentam problemas com vendas, receita e fluxo de caixa, e poderiam se beneficiar através de doações e empréstimos. Precisamos de fundos de contingência.

Conselhos:

Você pode ajudar uma empresa com conselhos? Você pode ser um coaching e mentor? Talvez você seja um empresário experiente que passou por tempos difíceis e aprendeu lições importantes.

Conexões:

  • Você pode ajudar a conectar empresas BAM com pessoas que podem ajudar? Com vendas? Marketing? Acesso a empréstimos? Auxiliar grupos com os quais você se identifica?
  • Você tem conhecimento de fundos de contingência? Mentores que estejam dispostos, qualificados e disponíveis? Sugestões práticas em relação a conexões úteis?

4. Lembre do necessitado

A crise do coronavírus afeta mais os pobres do que a maioria dos outros grupos. Milhões de trabalhadores autônomos perderam seus empregos e, portanto, sua renda. Há um número ainda maior de pessoas que trabalham por dia na economia informal, eles não têm uma rede de segurança e, em uma situação de quarentena, podem perder a renda de um dia e estar sem comida logo em seguida. Além de terem acesso limitado ao sistema de saúde.[2]

O mantra que muitos de nós ouvimos é: “Trabalhe em case, lave as mãos com frequência e mantenha distanciamento social”, porém isso não é possível para milhões de pessoas.

Veja alguns noticiários da Índia, África e Nepal:

Os mais pobres da Índia ‘temem que a fome pode nos matar antes do coronavírus’.

Na África, o distanciamento social é um privilégio que poucos podem pagar.

Trabalhadores assalariados diários estão mais preocupados com a possibilidade de morrerem de fome do que pela covid-19.

Um grupo na Tailândia tem fornecido cestas básicas para mulheres vulneráveis da indústria do sexo que perderam seus ganhos por causa da quarentena.

Outro exemplo é uma mulher afro-americana na Carolina do Norte, EUA, que “alimenta mais de 100 famílias todos os dias durante a pandemia covid-19”.

Você tem conhecimento de outras iniciativas encorajadoras?

5. Aprenda

Muitos de nós temos de ficar em casa, e isso pode nos dar oportunidades para estudar. Sabendo que a crise atual é única, embora não a primeira, devemos também estudar as lições aprendidas de eventos passados que trouxeram mudança significativa ao mundo. Devemos também – mesmo agora – tentar tirar lições da crise e a partir dela.

Deixe-me dar algumas sugestões concretas:

  • Neste tempo em que o “corona impôs o monasticismo” – deixe a Palavra de Deus ganhar vida, aprenda com aqueles que foram antes de nós, e desfrute da criação de Deus. Confira as reflexões do Bispo Barron sobre esses três pontos neste vídeo.
  • Confira relatórios do BAM Global e estude os dois documentos fundamentais para o Movimento BAM; o Manifesto BAM e o Manifesto sobre a Criação de Riqueza.
  • Em tempos de grandes e dramáticas mudanças, devemos nos lembrar dos países que foram transformados ao longo da nossa existência. Isso trará esperança e inspiração nestes períodos estressantes. Aprenda com Israel, Cingapura e Ruanda, que tiveram sucesso apesar das baixas probabilidades. Confira quatro recomendações de livros na biografia.[3]

Estou lendo agora mesmo um livro que descreve, analisa e compara as 12 Encíclicas da Igreja, de 1891 a 2009.[4] Tratam de temas como negócios, criação de riqueza, lucro, direito dos trabalhadores, propriedade privada, democracia, socialismo, teologia do trabalho, dignidade humana, direitos humanos, mercados livres, capitalismo democrático – tudo a partir de uma perspectiva bíblica, considerando as raízes dos contextos históricos.[5] Uma das melhores é a Encíclica João Paulo II de 1991: Centesimus Annus.[6] Também recomendo fortemente este livro!

Quais livros, artigos e vídeos e podcasts você recomendaria? Sobre o que você está aprendendo?

6. Reveja

Esta crise global é maior e mais complexa do que jamais experimentamos em nossa geração. Não estamos simplesmente passando por isso e logo voltaremos ao normal. As coisas estão mudando e vão mudar. Por isso, precisamos rever nossas pressuposições nos negócios, e possivelmente reformular para a situação atual. Certamente também haverá novas oportunidades de negócios durante e após a crise.

Praxis é “um motor criativo para o empreendedorismo redentor, apoiando fundadores, financiadores e inovadores motivados por sua fé em renovar a cultura e amaro ao próximo”. Três dos líderes da Praxis escreveram uma dissertação instigante que trata dessas questões: “Nesta dissertação explicaremos por que achamos que para a maioria das organizações – empresas, organizações sem fins lucrativos e até igrejas – este é um momento para redesenhar urgentemente nosso trabalho”. Esta é uma leitura sobremodo recomendada!

O que você e sua empresa e/ou organização estão fazendo como revisão?

7. Não desista!

Por que fazer BAM? Deus deseja, o mundo precisa e somos chamados para isso! É parte de um plano divino que os judeus chamam de tikkun olam: reparar o mundo.[7] Nós estamos vivendo na tensão do que o mundo é e de como ele deveria ser. Por isso iramos “que venha o Teu Reino, e seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”.

Tikkun olam significa co-criar com Deus, fazer a ponte do mundo que é para o mundo que deveria ser. Durante e após a crise do corona, devemos restaurar, curar vidas e melhorar o mundo, trazendo esperança e cura para as nações também através dos negócios.

Enquanto os mercados despencam devido à crise do corona, vamos aprender com Jeremias. As perspectivas não eram boas. Na verdade, eram muito ruins, até mesmo desastrosas. A cidade estava cercada, e tudo apontava para a derrota. Pessoas seriam agredidas, feridas e mortas; as casas seriam queimadas e os cidadãos de Jerusalém que restassem, deportados para terra estrangeira. Nesse contexto apocalíptico, o profeta Jeremias foi instruído por Deus para fazer um investimento – na cidade condenada!.

Investir durante a crise do corona pode soar um mal conselho. Mas Deus mostrou que o mercado será restaurado novamente um dia, Ele estava engajado para aquele fim, e Ele ainda está. Confira meu blog com o texto em inglês Deus restaura o Mercado.

À medida que fazemos BAM e tikkun olam, enfrentando tempos difíceis, não devemos perder a esperança ou desistir.

Emanuel – Deus está conosco.

Clique para ver o texto original.

 

Sobre o autor
MatsTunehag é embaixador global sênior do BAM e trabalhou em mais da metade dos países do mundo. É o presidente do BAM Global e contribui com a TransformationalSME.org. Visite MatsTubehag.com e confira materiais BAM em 19 idiomas.

 

Este artigo foi publicado pelo Martureo com a autorização devida.

 

Quer saber mais sobre BAM

 

 

[1] Reflexão do bispo Barron sobre a leitura do Evangelho de Marcos 12.28-34, publicada em 20 de março de 2020.

[2] Pessoas muito vulneráveis que, em alguns casos, são maltratadas quando estão apenas tentando sobreviver sob circunstâncias terríveis. Veja, por exemplo, esta reportagem em inglês.

[3] Israel é exemplo de uma nação pequena, com recursos naturais limitados e vizinhos hostis, que se transformou em uma dos líderes mundiais em inovação. Cingapura era pobre e se tornou independente em 1965. Tendo Israel como modelo, hoje é outro país com destaque mundial; funcionando incrivelmente bem: verde, seguro, limpo e próspero. Ruanda atravessou um genocídio que devastou o país em 1994 e se tornou um farol em muitos aspectos na África subsaariana. Aprendeu sobre Israel e Cingapura.

* Start-up Nation: A História do Milagre Econômico de Israel, por Dan Senor & Saul Singer

* Do Terceiro Mundo ao Primeiro: A História de Cingapura – 1965-2000, por Lee Kuan Yew

* Ruanda, Inc.: Como uma nação devastada se tornou um modelo econômico para o mundo em desenvolvimento, por Patricia Crisafulli e Andrea Redmond

* Vencendo as probabilidades juntos: 50 anos de laços Cingapura-Israel, por Mattia Tomba. 2019.

[4] Economia Papal: a Igreja Católica sobre o Capitalismo Democrático, de Maciej Zieba. 2013.

[5] O mundo passou por grandes mudanças nos últimos 150 anos, às vezes através de grandes guerras e turbulências políticas. A industrialização, o capitalismo desenfreado, o crescimento do comunismo ditatorial, o fim da guerra fria e o maior levantamento da pobreza na história da humanidade – o que aconteceu por meio dos negócios. O pensamento cristão significativo foi analisando esses desenvolvimentos a partir de perspectivas bíblicas e relacionadas à Igreja.

[6] O contexto é a revolta da guerra fria, o colapso do comunismo e uma mudança cataclísmica para centenas de milhões de pessoas. Leia encíclica em inglês aqui.

[7] Saiba mais sobre o conceito e como Israel o aplica. Também recomendo fortemente uma palestra do rabino Sacks cujo título é “Para curar um mundo quebrado”.

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