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Formação missiológica e teológica adere ao EAD

Pandemia quebra a resistência de várias instituições cristãs quanto ao ensino on-line

Desde março, muito se falou sobre como a pandemia de Covid-19 acelerou diversos processos e quebrou tabus: telemedicina, teletrabalho (ou home office) e ensino a distância (EAD) estão aí. E a formação missiológica e teológica também precisou de rápidas adaptações. “Antes de falarmos de vantagens e desvantagens do formato virtual, uma coisa é óbvia: no momento, ele viabiliza o ensino. Ou a formação acontece on-line, ou não acontece”, pontua Felipe Fulanetto, do Seminário Teológico Nazareno do Brasil (STNB). “Perto de 90% das instituições de formação teológica e missiológica que conheço conseguiram se adaptar. Claro, há muito a ser aprimorado, mas o ensino não parou”, diz Fulanetto.

Antes das restrições decorrentes da crise do novo coronavírus, o EAD já vinha ganhando terreno na formação de pastores, líderes e missionários. O STNB, por exemplo, já disponibilizava cursos de Teologia e de Missões on-line. A FLAM – Faculdade Latino-americana há pelo menos oito anos oferece cursos de extensão à distância. O bacharelado em Teologia da FLAM (reconhecido pelo MEC) acontece em ambas modalidades: presencial e à distância. “Agora todos os alunos estão no ambiente virtual. As aulas do curso presencial são dadas nos mesmos dias e horários de antes via ferramenta Zoom”, explica Ivone Botelho. O mesmo acontece na Faculdade Teológica Sul Americana, em Londrina.

Outras instituições, como o Seminário Teológico Servo de Cristo (STSC), antes da pandemia, resistiam completamente ao EAD. “O que acontece nos corredores é tão importante quanto o que acontece em sala de aula. Além disso, uma formação teológica ou missiológica não diz respeito apenas ao ensino acadêmico, envolve pastoreio, vida espiritual, e isso é mais efetivo no contato presencial”, explica Eliane Ho, do STSC. A pandemia, contudo, quebrou esse tabu. “Quando houve a suspensão das aulas presenciais, fizemos uma pausa de duas semanas para adaptarmos nossa metodologia, treinarmos os professores e escolhermos as ferramentas. Não temos aulas gravadas, as aulas são dadas ao vivo pelos professores via ferramenta Zoom. Assim, a interação entre alunos e professor é mantida”, completa ela. Apesar de a maior parte dos cursos do STSC estar no modo on-line apenas enquanto durarem as restrições em função da pandemia, já se estabeleceu que os cursos que o STSC ministra em parceria com o Martureo – Postgraduate in Oriental Studies (Estudos sobre islamismo) e Postgraduate in Studies on Missiology (Missões) – seguirão on-line mesmo quando as aulas presenciais retornarem. “Dessa forma, fica mais fácil para pessoas de outras partes do País ou mesmo de outros países participarem. Também foi muito gratificante ver uma mãe, mesmo com os filhos pequenos em casa, de volta à sala de aula (virtual) por conta desse novo modelo.”

O Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV), em Atibaia, tem uma postura semelhante à do Servo de Cristo. “Por ora, nosso curso regular está com aulas remotas via Zoom, mas, tão logo seja possível, retornaremos ao modo presencial. Nossos cursos regulares funcionam em regime de internato. Cremos que estudo, vida e ministério são os pilares de uma formação consistente, então até a convivência nos dormitórios molda o aluno”, explica Sidney Machado, reitor do SBPV. Mas o SBPV também deve lançar alguns cursos de extensão na modalidade EAD no próximo semestre. “Antes da pandemia, já estávamos nos preparando para isso”, diz Machado. “Uma coisa não invalida a outra, são públicos e objetivos distintos.”

A jornada de Perspectivas Brasil para reflexão sobre a Missão de Deus – programa muito conhecido no País, presente em 18 Estados, antes composto de 12 encontros presenciais de cerca de 2,5 horas cada – também está sendo adaptada e em breve estará disponível on-line.

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