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O desafio da veneração asiática pelos antepassados

É possível construir pontes valendo-se de substitutos funcionais com novos significados?

Alex G. Smith

Introdução

O poder de longa data da veneração ancestral asiática foi comprovado quando recentes escavações arqueológicas no cemitério de Genghis Khan provocaram uma tempestade de protestos na Mongólia. Quase 800 anos depois que o lendário guerreiro construiu um império que abrangia metade do mundo conhecido em seu tempo, Genghis Khan ainda é reverenciado pelos mongóis. Após sua morte em 1227, foi enterrado em um local secreto. Milhares de cavalos correram em torno do seu local de sepultamento para apagar todos os vestígios, e os participantes do funeral foram mortos para manter o local seguro.

O túmulo de Genghis Khan iludiu os arqueólogos por séculos, até 2001, quando uma equipe chefiada por um professor da Universidade de Chicago acreditava ter localizado a área de sepultamento de Khan. No entanto, o trabalho da equipe foi interrompido depois que o ex-primeiro-ministro da Mongólia, Dashiin Byambasuren, escreveu ao presidente Natsagiin Bagabandi, denunciando a profanação da tumba “por alguns dólares”. Na tradição mongol, a violação dos túmulos de ancestrais destrói a alma daquele que serve como protetor. A convicção de um estudante local de que “a grande alma [do Khan] protegerá a Mongólia” (The Oregonian, 14 de agosto de 2002) revela a influência contínua da veneração ancestral em sua nação.

Este artigo descreve três fases importantes na investigação da veneração dos ancestrais: primeiro, compreender os conceitos subjacentes aos ritos dos ancestrais; segundo, analisar e avaliar dados sobre esses ritos; e terceiro, experimentar abordagens práticas para resolver os problemas encontrados.

 

Cultos aos ancestrais inseridos no budismo

No budismo, os ritos para os mortos têm uma longa tradição desde os primórdios, quando o rei Bimbisara convidou Buda e alguns sacerdotes para uma refeição em seu palácio, ofereceu mantos aos monges bhikkhus e dedicou “seu mérito aos parentes falecidos”. Buda elogiou o rei por seu “grande mérito… em adorar os mortos de maneira tão frutífera de forma a encorajar os bhikkhus ao fazê-lo”. Onde as ofertas ancestrais do brahmanismo são limitadas “apenas a três gerações anteriores”, o budismo permite a transferência ilimitada de mérito para todas as gerações anteriores. Na Tailândia e em outros lugares, o ato de oferecer arroz brahmin e água para os mortos foi inserido aos ritos de morte budistas. O budismo também estabelece três condições de qualificação para a transferência efetiva de mérito aos ancestrais: 1) Enquanto praticam a caridade, os doadores devem conscientemente oferecer seu mérito ao falecido; 2) Somente ancestrais falecidos que ingressaram no reino dos fantasmas famintos (pretas) podem apreciar e compartilhar desse mérito; 3) Os atos meritórios são eficazes quando dispensados àqueles que são dignos, como monges budistas e outros necessitados (Nyanasamvara 1993: 125-133; Berentsen 1985: 267).

O professor Wei traça as raízes da adoração dos antepassados chineses até o animismo e o totemismo primitivos. Na dinastia Hsia (Xia), 2 mil anos antes da inserção do budismo, o culto aos antepassados era apenas um pouco menos importante do que o culto ao céu. Os antigos ritos chineses estavam enraizados na crença de que “todas as coisas se originaram do céu; as pessoas se originaram de seus ancestrais” (Wei 1985: 119-125). Embora o contato da China com o budismo remonta a 200 a.C., a mudança significativa da veneração dos antepassados para a adoração dos antepassados veio com a introdução oficial do budismo durante a dinastia Han (65-73 d.C.). Os textos clássicos chineses não registram o uso de incenso; a queima de incenso, velas e papel-moeda foram adicionados às cerimônias de adoração aos antepassados somente quando o budismo foi introduzido na China. A reverência aos antepassados originalmente significava “reverenciar o Céu, iluminar virtudes morais, edificar a piedade filial e mostrar gratidão aos ancestrais”. Mas o budismo também incentivou “a adoração dos mortos” para ajudá-los a entrar no Paraíso Ocidental (Wei 1985: 128-130).

Embora rejeite todas as entidades espirituais como irrelevantes, o budismo é altamente sincretista, influenciando fortemente as bases das culturas asiáticas. Arnold Toynbee afirma que o budismo, historicamente, “transformou todas as culturas à medida que entrou, e… foi transformado por sua entrada nessa cultura” (Maguire 2001: 207). Os budistas populares da Ásia consideram amplamente os cultos ancestrais como parte do budismo. O budismo do Laos, por exemplo, é “mais orientado para o cuidado dos espíritos ancestrais, guardiões e da natureza do que para a metafísica do Buda” (Bailey 2003: 152).

 

Um fenômeno de valor universal

Os cultos aos ancestrais, envolvendo várias formas de adoração abertas ou secretas, são mais difundidos e enraizados entre os povos asiáticos do que a maioria dos ocidentais imagina. Ofertar aos antepassados é uma tradição central que antecede as religiões sistematizadas. Herbert Spencer sugere que “o culto aos antepassados é a raiz de toda religião”. Realizada em locais especiais, templos, santuários e altares domésticos, suas inúmeras expressões incluem sacrifícios, orações e ofertas. Foi predominante em muitas sociedades sofisticadas através dos tempos, incluindo impérios antigos, como Grécia e Roma. Hoje permanecem “talvez mais pessoas que praticam o culto aos antepassados do que pessoas que vivem a fé cristã” (Hwang 1977: 340).

A maioria das práticas de culto aos ancestrais cresceu em torno dos conceitos de morte e vida após a morte. As crenças comuns na imortalidade da alma e na interação social entre os vivos e os mortos – especialmente entre os povos que possuem visão de mundo monística – formam a base dos cultos aos ancestrais.

 

O conceito de veneração dos ancestrais

Os cultos aos ancestrais geralmente envolvem dois aspectos: respeito e adoração. O respeito surge do dever cívico, enquanto o culto envolve ritos religiosos. Os cristãos aceitam o primeiro como legítimo a partir da Bíblia, e admitem que há um lugar para a veneração dos ancestrais sem temor ou adoração desses espíritos. Neste artigo, o termo “veneração” refere-se ao elemento de respeito: inclui sua expressão através de atos legítimos de piedade filial: honra, estima, reverência, devoção, amor e homenagem aos antepassados como seres humanos, mas exclui qualquer adoração ou deificação deles.

Adoração”, no entanto, refere-se ao ritual de adoração religiosa “dirigido a pais ou antepassados falecidos” como divindades “com base na crença na parte imaterial e imortal” dos seres humanos e em seu “mesmo interesse genuíno nos assuntos dos vivos” (Chiu 1985: 22, grifo nosso). Muitos acreditam que seus ancestrais mortos continuam a ajudar a manter a tradição e a sobrevivência da família, governando, protegendo, abençoando ou punindo. É certo, portanto, que os parentes vivos lembrem-se dos antepassados e façam oferendas a eles.

A deificação ancestral tem uma longa história. O antropólogo E. B. Tylor descreve como os ancestrais mortos são frequentemente deificados como fantasmas ou santos, como foi o caso da antiga adoração romana aos manes. Outras sociedades e tribos acreditavam em uma linhagem comum de um ancestral primordial não humano – um deus, espírito, animal ou figura mítica – que se tornou o totem do clã. Por exemplo, o xintoísmo de Estado japonês (até depois da Segunda Guerra Mundial) retratou o imperador como a encarnação da deusa do sol (Tylor, 1889).

Na opinião dos parentes, os antepassados falecidos não são desligados na morte, mas permanecem conectados socialmente, exercendo uma influência poderosa e abrangente (Taylor 1963: 103-105). Os ancestrais são frequentemente considerados espíritos guardiões da família, clã ou tribo. Há uma forte crença de que as almas dos mortos se estabelecem em uma espécie de reino paralelo à Terra. Para a tribo Damal no centro de Irian Jaya, acredita-se que o mundo espiritual exista em uma realidade ainda mais alta que a do físico. Nas culturas chinesa, vietnamita, entre outras, réplicas em papel de dinheiro, carros, casas e outras ofertas são queimadas para proporcionar conforto aos antepassados em sua morada de almas mortas e para mantê-los dispostos para os vivos.

A continuidade coesa dessa visão de mundo reforça o culto aos ancestrais. A cerimônia do “nome e arroz” no Sri Lanka, por exemplo, é realizada no sétimo mês de uma criança. Os parentes reúnem-se em uma data propícia para testemunhar quando o avô coloca um punhado de arroz na boca da criança e a nomeia. Quando o conceito de uma conexão tão abrangente com os ancestrais é suscitado desde o nascimento e permeia a vida diária, suas perspectivas e valores persistem ao longo da vida. Isso reforça a perpetuação da continuidade dos ancestrais (Peiris 1956: 226; Weerasingha 1989: 93).

 

A importância da adoração aos ancestrais no pensamento asiático

Na Ásia, a prioridade da experiência dos antepassados é altamente respeitada. Os antepassados recebem o crédito por estabelecer métodos familiares e preceitos morais. Pensa-se que eles simpatizam com os descendentes vivos que enfrentam dificuldades semelhantes às suas próprias experiências passadas. Seus conhecimentos prévios e realizações passadas constituem um recurso rico para a tomada de decisões. Acredita-se que seus poderes estejam à disposição da família, se acessados corretamente, ou seja, através de oferendas, sacrifícios, libações, orações, magias e outras formas apropriadas de adoração.

A aparição dos antepassados em sonhos, visões ou aparições dos vivos também são lembretes de sua importância. Não é incomum os asiáticos interpretarem sonhos sobre ancestrais como sérios avisos de perigo iminente. Isso promove um sentimento de conexão com o falecido.

A perpetuidade dos antepassados na memória viva é um poderoso fator de identidade pessoal. As linhagens ancestrais são proeminentes nas Escrituras. Mateus relata mais de quarenta gerações, de Abraão a Jesus Cristo (Mt 1.1-17), e Lucas lista os ancestrais de Cristo a partir de Adão (Lc 3.23-38). Na Ásia, as linhas ancestrais às vezes são atribuídas a sete ou mais gerações. Os nomes são registrados em uma tábua ancestral, o fundador de um clã ou tribo pode deixar legados de aprendizado ou práticas de culto e totens que são mantidos perpetuamente.

Os antepassados são reconhecidos como parte do atual grupo social e identificados como “os mortos-vivos”. Os antepassados falecidos vivem em um mundo espiritual, mas acredita-se que eles mantêm um interesse vivo no mundo material. Às vezes, estão disponíveis para contato ou consulta em locais específicos, talvez em uma montanha alta, um corpo de água ou em algum santuário de ancestrais centralizado. Assim, a geomancia (como o feng shui) é cuidadosamente considerada quando chineses e vietnamitas escolhem as sepulturas. (Reimer 1975: 158; Hickey 1964: 38f)

 

Motivações por trás da adoração aos antepassados

Primeiro, a piedade filial, ou o respeito e a afeição pelos antepassados, tem um alto valor entre os chineses, japoneses, coreanos e vietnamitas. Essa motivação para a veneração tem fortes implicações éticas e sociais. Inclui gratidão aos ancestrais pelo seu cuidado e provisão. Isso é expresso principalmente de três maneiras:

  1. Ritos funerários e de sepultamento adequados para o falecido, com o devido respeito e procedimento correto para dignificar os ritos finais de passagem. Isso pode envolver pranteadores profissionais, banquetes e outras atividades.
  2. Ofertas regulares (diárias ou semanais) de alimentos, incenso, flores e outros itens na frente das tábuas e altares ancestrais montados na casa da família. Uma fotografia do antepassado geralmente é colocada no santuário, e o alimento é oferecido aos fantasmas (Hung 1983: 32). Onde os parentes falecidos são considerados detentores de poder sobre questões humanas, eles geralmente são adorados (Taylor 1973: 392) por membros da família que dirigem pedidos de oração a eles. Depois que esses rituais de sacrifício são concluídos e os ancestrais “comem”, os membros vivos compartilham da comida do altar, em comunhão com seus ancestrais (Lowe 2001: 4f).
  3. Cuidado correto das sepulturas dos ancestrais. Visitas rituais são feitas a sepulturas ancestrais em épocas especiais do ano para homenagear os mortos. As sepulturas são limpas e enfeitadas neste momento; ofertas especiais são feitas e o culto aos antepassados é realizado. Na China, esse festival é conhecido como ching ming; semelhantemente, no verão, os japoneses celebram o festival bon, assim como os populares bonson – visitas frequentes a sepulturas familiares (Shibata 1985: 247f).

Uma segunda motivação dominante é o medo dos fantasmas dos ancestrais. Há um receio de que, se não tratadas adequadamente, essas entidades desencarnadas possam causar estragos e causar infortúnio aos vivos (Hung 1983: 33). Consequentemente, os ancestrais que partiram são vistos com muito terror. Considera-se essencial que os vivos forneçam meticulosamente uma saída adequada para o transporte dos recém-partidos para seu local de descanso espiritual, oferecendo vários itens para seu uso no submundo. Cumprir esses deveres é como um seguro para a família, mesmo na ausência de respeito e amor genuínos pelos que partiram.

Em terceiro lugar, a conformidade com os costumes sociais reforça o sistema ancestral. O ensino confucionista estabeleceu expectativas e prescreveu formas cerimoniais. Negligenciar os antepassados produz um forte estigma social. Entre muitos povos do norte e do leste da Ásia, não seguir padrões socialmente prescritos para honrar os antepassados é considerado uma grande desgraça, um pecado extremamente desprezível. Isso representa um dilema para os cristãos convertidos, criticados como divergentes por desrespeitarem seus próprios antepassados. No Vietnã, o cristianismo é ridicularizado como “a religião que é ingrata aos antepassados” (Reimer 1975: 156). Abster-se de ritos sociais pode incitar perseguição.

Em quarto lugar, os ritos aos ancestrais ajudam a manter os laços familiares. Eles oferecem oportunidades para reuniões que reforçam vínculos e a unidade de todos da família. Nas comunidades rurais e urbanas, os parentes são frequentemente chamados, em primeiro lugar, para obter ajuda nos campos, nas crises financeiras ou em decisões importantes. Reuniões para adoração e veneração a ancestrais demonstram respeito comunitário, lembrando às famílias seus estreitos laços de obrigação mútua e interdependência entre si e com os seus ancestrais.

Tendo focado na compreensão dos conceitos subjacentes aos ritos dos ancestrais, vamos agora analisar seus contextos.

 

Uma comparação de duas diferentes visões mundiais

É crucial compreender as percepções divergentes de duas perspectivas – uma que é bíblica e outra de uma cultura desenvolvida em torno dos ancestrais. A visão bíblica geral que descreve o fluxo e o processo da vida é resumida de forma simples na Figura 1 a seguir.

Isso reconhece uma dualidade que separa o Criador da criatura e o espiritual do físico. Deus como Criador não faz parte da própria criação, mas trabalha dentro dela. As Escrituras deixam claro que aos não-nascidos é dada a bênção da vida por Deus, a fonte de toda a vida que abre ou fecha o ventre (Gn 29.31 e 1Sm 1.6), e ordena que a humanidade se multiplique (Gn 1.27-28).

De acordo com as Escrituras, a vida útil de uma pessoa geralmente aproxima-se de “setenta anos” (Sl 90.10), no final da qual é designado ao homem “morrer uma só vez” (Hb 9.27). É uma ruptura radical com a vida, sem retorno (Jo 10.21; 2Sm 12.23; Ec 9.3-6, 10; Lc 16.13). Os termos bíblicos sheol (hebraico) ou hades (grego) denotam “a morada dos mortos”. Como na maioria das religiões, há um senso de responsabilidade final: os mortos entram no paraíso (seio de Abraão) ou hades/ sheol (um local de separação, desconforto e dor). Um julgamento ocorre no tempo determinado, seguido da designação para o céu ou o inferno.

Essa explicação um tanto rudimentar de uma perspectiva bíblica sobre o fluxo da vida contrasta consideravelmente com a do culto aos antepassados, diagramada na Figura 2.

A visão de mundo asiática tem uma orientação geralmente monística, vendo tudo como parte de um todo. Os ancestrais mortos são reconhecidos como parte da esfera da verdadeira vida viável que abrange aqueles que estão atualmente vivos, os que partiram e até os que ainda não nasceram. Três aspectos do monismo cósmico descrevem a relação entre os realizadores dos ritos e seus ancestrais: 1) comunidade de obrigação, 2) comunidade de interdependência e 3) comunidade de continuidade cósmica (Berentsen 1985: 264-269). Essa visão do mundo reconhece os ancestrais como “mortos-vivos” que permanecem integrantes ao mundo material, afetam os assuntos terrestres pelo bem ou pelo mal, e exercem sua influência sobre sua família atual. Quando os humanos morrem, eles vão para a morada dos ancestrais e aguardam a reencarnação, dependendo do seu carma acumulado. A Figura 2 mostra como os recém-nascidos vêm da piscina dos ancestrais por meio de reencarnação ou renascimento. Essa representação cíclica contrasta com a orientação linear comum do Ocidente.

 

Os meios e as causas para consultar ancestrais

Onde os cultos aos ancestrais são predominantes, devem ser seguidos padrões estabelecidos de aproximação ao falecido. Isso requer um tipo de sacerdócio ou mediação. Frequentemente, o chefe da família ou o homem mais velho da família extensa comanda e realiza os rituais em casa. Onde o budismo se tornou predominante através de sua acomodação cultural –

integrando práticas ancestrais e animistas – os sacerdotes budistas também assumiram papéis semelhantes nos rituais.

Os principais motivos pelos quais os antepassados são consultados incluem:

  1. Preocupações biológicas com a fertilidade humana. Isso se refere à extensão física da tribo ou linhagem familiar. Se uma mulher tem dificuldade em conceber ou manter uma gravidez, um adivinho é consultado e um diagnóstico comum identifica que “forças perturbadoras associadas aos fantasmas dos ancestrais que não querem que o nascituro saia da terra dos fantasmas dos ancestrais e vá para a terra dos vivos” (Grunlan 1981: 50-51).
  2. Fertilidade e fecundidade da terra. Como a terra é herdada dos ancestrais, eles ainda têm interesse em preservá-la para a família atual e fazer com que produza grandes colheitas.
  3. Relação pessoal entre os vivos e os mortos. Os vivos podem sentir profundo afeto pelos antepassados e/ou um medo considerável deles. Os ancestrais mortos continuam exibindo traços humanos, e o culto aos ancestrais pode refletir o tipo de dinâmica encontrada na família. Um mediador com conhecimento, aptidão e experiência considera como abordar os ancestrais a fim de aplacá-los, pleitear com eles ou enganá-los em favor dos vivos.
  4. Doenças e males. A negligência do dever religioso para com os antepassados é frequentemente identificada como uma causa oculta da doença. Um ancestral irritado ou insatisfeito pode deixar de proteger os vivos, e a família examina seu comportamento para descobrir o motivo da desaprovação do ancestral. Causas semelhantes são frequentemente encontradas em tempos de seca, fome ou calamidade natural.

 

Uma avaliação de princípios bíblicos

No primeiro mandamento (Ex 20.3), encontramos o possível problema da idolatria no culto aos antepassados. A pergunta é: “Nos cultos aos ancestrais, os antepassados são adorados como deuses e, dessa forma, esse primeiro mandamento é violado?” (Kraft 1991: 309). Toda reverência ritual sincera aos antepassados eleva necessariamente seu status ao de deuses em competição com Jeová? Como alguém pode discernir quando a linha passou da veneração respeitosa válida à adoração idólatra? Essas são questões missiológicas muito difíceis.

Uma crença comum na China, Japão, Coréia e Vietnã é a de que o espírito de um ancestral morto retorna para entrar na tábua dos ancestrais. Às vezes, um buraco é feito na tábua para esse fim. Após um curto período de tempo, a alma falecida existe simultaneamente em três locais: no céu, no caixão ou no túmulo, e na tábua ancestral do lar (Liaw 1985: 186). O fato de parentes vivos ajoelharem-se diante do altar para adorar seus antepassados com incenso, velas, flores, dinheiro espiritual, orações e ofertas parece contrariar o segundo mandamento: “Não farás para ti nenhum ídolo… Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto” (Ex 20.4-5). Essa é uma preocupação notável, especialmente no norte da Ásia, onde queimar incenso indica claramente a adoração a uma divindade (Tan 1985: 221-223; Hung 1983: 36).

Os cultos aos ancestrais vietnamitas e de outras partes da Ásia são baseados em  complexas “crenças sobre a alma” (Reimer, 1975: 155- 156). Curiosamente, a palavra hebraica para alma, nefesh, não distingue claramente entre alma e corpo. Nas culturas em que os antepassados são venerados, pode-se argumentar que a alma espiritual vive além da morte física, e é potencialmente acessível para a comunicação com os vivos. A maioria das civilizações antigas acreditava que a vida continuava após a morte, e desenvolveu sistemas elaborados para prover aos seus ancestrais e garantir harmonia na vida após a morte.

A nação de Israel não estabeleceu nenhuma prática formal de culto aos ancestrais: eles respeitavam muito seus antepassados, conforme ordenado pelas Escrituras, mas eram obrigados estritamente a adorar apenas um Deus, Jeová.

Um segundo problema está relacionado ao devido respeito de acordo com o quinto mandamento. “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Ex 20.12). Os asiáticos podem, com razão, perguntar aos cristãos locais e, especialmente, aos ocidentais: “Os cristãos negligenciam o respeito aos seus antepassados? O primeiro mandamento é mais importante que o quinto? Ou o quinto é menos inspirado? A teologia ocidental presta pouca atenção aos antepassados, embora boa parte das Escrituras fale deles (Hiebert 1985: 210)?”. A referência repetida ao “Deus de Abraão, Isaque e Jacó” é uma declaração vital de veneração e continuidade ancestral (Ex 3.6, 16). O que dizer da falta do Ocidente em mostrar verdadeira piedade filial aos antepassados usados por Deus para preparar nossa herança? Os cristãos devem destacar-se por respeitar os pais, cuidar de seus parentes idosos e nutrir suas próprias famílias. Além disso, o quinto mandamento é o único (dos Dez) dado com uma promessa de bênção. Nossa observância disso, apesar das inadequações e pecaminosidade de nossos pais, reflete honra devida a Deus (Ef 6.1-3).

 

Os desafios missiológicos das práticas ancestrais

Quando o Evangelho entrou no norte e no leste da Ásia, as práticas de culto aos ancestrais estavam entre “os problemas mais críticos… que o cristianismo teve que enfrentar” (Ro 1985: 4), possivelmente até “o maior obstáculo à missão cristã entre os chineses” (Hung 1983: 32).

A panela eclética da religião chinesa contém uma ampla lista de divindades; os chineses adoram o “Céu” (Shang Ti), Buda, os bodhisattvas, imortais taoístas, Confúcio e seus próprios ancestrais (Samagalski 1984: 69). No Japão, seitas budistas como Nichiren e “novas religiões” como Tenrikyo inseriram o culto aos ancestrais (Shibata 1985: 253). As religiões vietnamitas Hoa Hao, Cao Dai e Coconut também concentram-se fortemente na reverência dos ancestrais (Reimer 1975: 165). De fato, a maioria das religiões da Ásia são, em grande parte, conglomerados de budismo, hinduísmo ou islamismo misturados com várias formas animísticas e cultos aos ancestrais.

As práticas ancestrais entre outros povos asiáticos nem sempre são óbvias. Por exemplo, aqueles que não são sino-tailandeses não parecem ter cultos ancestrais codificados, mas quando grandes adversidades atingem uma família, sua primeira reação é fazer sacrifícios e reverenciar seus ancestrais enraivecidos. Da mesma forma, alguns filipinos (embora nominalmente cristãos) prestam homenagem e fazem orações aos seus antepassados mortos “para que respondam de forma favorável às necessidades dos membros vivos da família” (Henry 1986: 8). Durante o festival de outono de Pchum Ben, no Camboja, todas as famílias reúnem-se e viajam para sete templos budistas (wats) jogando bolas de arroz grudento ao redor dos wats para alimentar os espíritos famintos dos ancestrais. Para os cambojanos rurais, os fantasmas ancestrais estão entre “os espíritos que mais temem e com quem se preocupam no dia-a-dia” (Bowers 2003: 48). O maior grupo minoritário da China, o Zhuang, tem um forte sistema de culto aos ancestrais. No Laos, quando a morte ocorre em uma família Taidam, sacrifícios de animais são oferecidos ao espírito do falecido cujo cadáver é colocado em um suporte na casa. Os participantes vivos, em seguida, compartilham o alimento que foi sacrificado no funeral.

Há mais exemplos de outros grupos de pessoas da Ásia, mas essas ilustrações são suficientes para identificar o cerne do problema referente às práticas ancestrais. As visões de mundo formadas por influências de ancestrais estão tão profundamente arraigadas na psique de muitos povos asiáticos que as questões relacionadas não podem ser simplesmente descartadas. No sudeste da Ásia, devastado pela guerra, durante a década de 1970, locais ancestrais e altares domésticos foram destruídos, e as pessoas foram obrigadas a fugir pelas fronteiras. No entanto, em poucas semanas, os altares ancestrais reapareceram nos campos de refugiados do leste da Tailândia (Reimer 1975: 163). Após o devastador tsunami de 2004, que atingiu Phuket, um comentarista de televisão tailandês declarou: “Os ocidentais preocupam-se com surtos de doenças. Nós, tailandeses, estamos preocupados com os espíritos caprichosos (fantasmas famintos) dos mortos”. A influência poderosa e persistente dos ancestrais permeia os corações e as culturas de muitos asiáticos. Atender às necessidades que eles sentem profundamente requer muita pesquisa e compreensão.

 

A necessidade de substitutos funcionais

Controvérsias históricas na igreja sobre essa questão delicada dos ritos ancestrais estão bem documentadas (Ro 1985: 149-160). As respostas da Igreja e dos missionários à veneração ancestral geralmente têm sido condenar todas as práticas ou perdoar todas. A primeira opção aliena os cristãos de sua sociedade e cultura; a segunda é tão flexível que o sincretismo assume o controle da Igreja. A primeira pode ser etnocêntrica demais, insensível e inconsciente das profundas necessidades dos asiáticos; a segunda compromete, confunde e carece de compreensão das Escrituras e da cultura. O objetivo é encontrar soluções que sejam completamente bíblicas sem outro compromisso, culturalmente autênticas, sem sincretismo, e que, ao mesmo tempo, possam satisfazer as necessidades dos adoradores de antepassados.

Os estudiosos atuais incentivam um caminho intermediário que exige o desenvolvimento de determinados substitutos funcionais adequados, apropriados às práticas ancestrais específicas de cada pessoa. Os substitutos funcionais constroem pontes pegando formas antigas e as transformando com novos significados, em vez de introduzir novas formas. Como o descarte de elementos formais essenciais pode deixar vazios frustrantes, é necessário discernimento nesse processo triplo: 1) reter as coisas que se podem seguir, 2) rejeitar as coisas que não se podem praticar e 3) reconhecer as coisas que podem ser transformadas e adaptadas. Experimentos e avaliações sérios são necessários no terceiro ponto para que soluções efetivas sejam implementadas para evitar deixar um vazio no coração dos crentes e manter a Igreja em estreita proximidade cultural com a sociedade (Liao 1972: 130f, Hwang 1977: 353f, Hung 1983: 36f e Ro 1985 parte IV).

Abaixo estão algumas ideias para substitutos funcionais que podem fornecer modelos para experimentação e avaliação. Como as situações culturais variam, oferecemos apenas possibilidades. A criatividade é necessária na aplicação.

  1. Funerais e preparação do corpo. Todos os procedimentos relacionados ao caixão e aos serviços de sepultamento ou cremação devem ser dignos e solenes. Eles devem promover conforto aos participantes, paz, esperança e alegria. As melhores formas locais devem ser usadas – elas devem ser culturais, não ocidentais, cristãs e não religiosas. Monte um altar memorial com itens como uma foto grande do falecido, uma Bíblia da família e arranjos florais. Apresente faixas com textos bíblicos adequados ou palavras de agradecimento pelo falecido. Use trajes culturais adequados e símbolos de pesar. Sem oferecer incenso, os cristãos devem primeiro oferecer respeito aos mortos e condolências à família antes de ajudar de outras formas mais práticas. Onde for culturalmente apropriado, bandas ou corais da igreja devem se apresentar, e os participantes podem compartilhar histórias de realizações do falecido, valorizar o legado familiar, oferecer provisão e cuidado. Outros enfeites e práticas devem estar de acordo com a cultura local, dentro dos limites bíblicos. Atitudes sem julgamento são importantes, pois essa é uma chance de mostrar aceitação e amor, paciência e bondade para com aqueles que podem ter práticas inaceitáveis para os crentes. Placas para sepultura ou lápides em homenagem ao ancestral devem ser feitas posteriormente.
  2. Memoriais ao falecido. Memoriais e aniversários de morte exigem criatividade para expressar honra ao ancestral. As famílias podem demonstrar solidariedade, amor e preocupação mútuos em refeições memoriais e compartilhar sentimentos e apreço pelo falecido. Faça jogos culturais, música ou teatro, conforme apropriado. União e unidade são as palavras de ordem. Doe em nome do falecido para projetos de caridade da comunidade e da igreja. Plante arbustos ou árvores identificadas com placas em homenagem aos antepassados. Mantenha a comunhão com aqueles que não são crentes nas reuniões e aniversários de famílias ou clãs. Anualmente, nos festivais lunares ou de Ano Novo, encontre formas criativas de mostrar respeito pelos antepassados. Onde os parentes insistem em ritos antigos para ancestrais incrédulos, as famílias cristãs podem realizar uma cerimônia final, durante a qual declaram a todos os parentes que se trata de uma celebração de adoração respeitosa, final e especial. Como filhos de Deus, os cristãos dão ao falecido a maior honra, confiando-os ao Deus Criador e comprometendo-os para sempre ao seu cuidado eterno. Ao encerrar a veneração dos antepassados, a família dos crentes deve expressar muita gratidão sincera aos ancestrais por seus cuidados passados, e descrever o tipo de respeito que os cristãos continuarão a conceder, excluindo os antigos modos espirituais temerosos.
  3. Cuidados e limpeza de sepulturas ancestrais. Reuniões de família ou do clã para festivais, como ching ming ou bon, podem ser eventos de união. Identidade e unidade são imprescindíveis. São tempos solenes para lembrar e honrar os antepassados com palavras de gratidão, homenagens escritas, flores ou balões. Depois de limpar meticulosamente o túmulo, os membros podem dar as mãos ao redor do túmulo, oferecer orações de agradecimento a Deus, e fazer um minuto de silêncio. Os cristãos podem se destacar dos outros fazendo isso pelo menos uma vez por ano para honrar seus antepassados.
  4. Altares da família em casa. Sugestões feitas anteriormente para funerais são apropriadas aqui. Acrescente itens significativos e especiais, como uma lista de antepassados registrados na Bíblia da família. David Liao chegou a projetar um modelo de uma tábua ancestral Hakka “corrigida” (Liao 1972: 124). Faça os devocionais da família perto do altar e louve a Deus por estar naquela família e em sua igreja. Agradeça ao Senhor por sua provisão de proteção, saúde, comida, abrigo e roupas. Na parede próxima, considere exibir fotos de várias gerações de antepassados. Produza uma história familiar com detalhes significativos e a coloque na mesa memorial. Leia as seções para os membros. Em tempos de crise ou tomada de decisão, reúna-se perto do altar da família para pedir a Deus por Sua direção e bênção. Louve-o por sua graça, misericórdia e vontade. Conte a Deus sobre os problemas, confesse pecados, e comprometa seu futuro a Ele.
  5. Reconciliação cultural das relações familiares. Os problemas sociológicos surgem da mudança de religião dos jovens ou da violação de costumes sem a aprovação dos pais. Em um caso de fornicação juvenil na Tailândia, a vergonha resultante provocada pelos pais exigia um rito de reconciliação para restaurar os relacionamentos dentro das famílias. Os culpados se ajoelhavam em humilde submissão diante de seus pais, e também pediam perdão aos antepassados. Uma refeição comunitária era feira em seguida, simbolizando a restauração com as famílias e a comunidade (Mejudhon 2003: 265-273). As igrejas precisam desenvolver rituais semelhantes de reconciliação, que mantêm os laços familiares dentro de sua própria orientação e valores culturais. Experimente maneiras de incentivar os jovens a seguir os ritos da família, honrar os memoriais ancestrais, e cumprir as obrigações domésticas a fim de manter esses relacionamentos. Lembre-se de que Naamã declarou apenas sua verdadeira adoração a Deus, mas pediu perdão ao Senhor por ter de acompanhar seu mestre e se curvar diante de Rimom. A resposta de Eliseu foi: “Vá em paz” (2Rs 5.17-19).

 

Conclusão

Este artigo tentou explorar os conceitos complexos que impulsionam a veneração dos ancestrais, analisar o contexto social por trás do culto, e aplicar sugestões práticas no uso de substitutos funcionais. Concluímos com oito ações que, com esperança, irão apontar o caminho para uma melhor compreensão, avaliação e experimentação.

  1. Reconhecer a complexidade dos rituais e práticas ancestrais. Compreendê-los. Respostas simplistas ou antagonismo polarizado fazem mais mal do que bem. “Uma teologia cuidadosa, culturalmente apropriada, biblicamente fiel e missiologicamente intencional da veneração dos ancestrais ainda clama por desenvolvimento” (Van Engen 1998: 66).
  2. Exemplificar modelos fortes de genuína piedade filial cristã. Os crentes devem se destacar ao expressar o verdadeiro respeito por seus antepassados, especialmente enquanto estão vivos. Os líderes da igreja devem abordar questões sobre “ancestrais e rituais tradicionais do ciclo da vida” (Hiebert 1993: 258). Criar práticas que honrem os pais e antepassados pode ser uma chave vital para o crescimento da Igreja na Ásia.
  3. Empatia com sincera compreensão e compaixão. Por trás dos elementos perturbadores nos cultos aos ancestrais, encontram-se profundas necessidades psicológicas e dores espirituais. Visões diferentes chamam os cristãos à sensibilidade, paciência, amor e oração, e não à contenda, crítica e julgamento. É fundamental aceitar as pessoas como elas são, e ter empatia com suas necessidades e motivos.
  4. Concentre-se no evangelismo de toda a família. A consciência familiar asiática fortalece a unidade social e a continuidade do parentesco. O evangelismo “um a um” atrapalha isso, produzindo reações protetoras e rupturas nas famílias. Pratique a abordagem bíblica de alcançar e batizar famílias inteiras. Plante estrategicamente igrejas em torno das famílias. Produza literatura, vídeos e dramas de rádio retratando conversões familiares. Evangelize famílias, não apenas indivíduos. Trabalhe com os jovens relacionando-se com suas famílias, ensinando-os a respeitar seus pais e idosos.
  5. Realize uma pesquisa sólida. Investigações socioantropológicas, teológicas e missiológicas sérias fornecem dados sobre as crenças atuais e sobre o culto aos antepassados. Os líderes nativos podem realizar estudos e pesquisas aprofundados nas bases. Os estudos comparativos transculturais aprimoram o entendimento das variações regionais nas práticas ancestrais e inspiram novas abordagens e formulação cruzada de ideias. Entreviste, especialmente, aqueles que estão sem igreja.
  6. Crie pontos de contato. A prática de adoração aos antepassados – na qual estão presentes conceitos como crença na alma, vida após a morte, oração, culto, relação com o invisível e compartilhamento comunitário espiritual – fornece pontes para explorar o cristianismo. Muitos aspectos positivos de honrar os pais estão ligados ao Pai celestial.
  7. Desenvolva substitutos funcionais apropriados. Experimente usar as pontes citadas acima. Com a contribuição dos crentes locais, crie e teste novas abordagens que garantam a visibilidade à reverência cristã pelos antepassados. Avalie e recicle as lições aprendidas.
  8. Instrua novos convertidos – ensine os membros da igreja. Ensine aos crentes (novos e antigos) e missionários sobre as novas abordagens. Treine-os para serem modelos em relação à honra. Instrua-os sobre como se relacionar com seus parentes e usar substitutos funcionais. Aprenda a diferenciar entre a adoração ao Deus Criador, o Pai, e o respeito devido aos antepassados. Compreenda visões de mundo monísticas e bíblicas. Ensine especialmente sobre como lidar com o medo confiando no poder de Deus.

A veneração aos antepassados é uma questão complexa que requer análise rigorosa, discernimento e experimentação criativa. Com abordagens sensíveis, aplicações perspicazes e tentativas ousadas, a Igreja descobrirá boas soluções.

 

Sobre o autor
Alex G. Smith é atualmente ministro-geral da OMF International. Serviu por 41 anos na OMF International, juntamente com sua esposa, Faith. Por 20 anos, viveu no mundo budista, na Tailândia, plantando igrejas pioneiras, treinando líderes nacionais, coordenando evangelismo de campo e dirigindo o Thailand Church Growth Committee. Membro fundador do Grupo Executivo SEANET, autor de vários livros em tailandês e inglês, é presidente do conselho de povos não alcançados budistas da Regent University.

 

Este artigo foi originalmente publicado em inglês na Mission Round Table (Vl. 1, No 3, Jul 2005: 17-23) e o Martureo recebeu a devida autorização da OMF para traduzi-lo e republicá-lo.

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