em Artigos
img_ev_judeu2

Evangelização dos judeus – Retrato da comunidade judaica atual (Parte 2)

Há menos de 14 milhões de judeus em um mundo de 6,4 bilhões de habitantes

Rev. Mitri Raheb

O conteúdo a seguir foi extraído do Documento Ocasional nº 60 de Lausanne. É uma produção do Grupo Temático “Alcançando o Povo Judeu com o Evangelho” do Fórum pela Evangelização Mundial de 2004 que aconteceu em Pattaya, Tailândia. Trata-se de uma iniciativa da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial.

Se preferir, leia antes Evangelização dos judeus – Um chamado à Igreja (Parte 1).

 

C.S. Lewis escreveu na introdução ao livro de Joy Davidman, Smoke on the Mountain (Fumaça na Montanha):

De certa forma, o judeu convertido é o único ser humano normal no mundo. As promessas foram feitas para ele em primeiro lugar e ele se valeu delas. Ele chama Abraão de pai por direito hereditário e também por permissão divina. Ele recebeu todo o programa de estudo em ordem, conforme estabelecido; alimentou-se do jantar na sequência do cardápio. Todos os outros são, de determinado ponto de vista, um caso especial, tratados de acordo com regras de emergência.

Hoje, existem menos de 14 milhões de judeus em um mundo de 6,4 bilhões de habitantes. Os judeus representam apenas um quarto de 1% da população mundial. Residindo em mais de 130 países, a população judaica por região divide-se da seguinte forma: América do Norte (6 milhões), Israel (5,2 milhões), Europa (2 milhões), América Latina (500 mil), Australásia (100 mil) e África do Sul (90 mil).

O mundo judeu atual é repleto de paradoxos: diversidade e uniformidade, secularismo e espiritualidade, rigidez e mobilidade. A seguir, apresentamos um retrato desse mundo, um breve vislumbre da missão aos judeus no passado, a realidade do campo hoje e o motivo para tanta comoção sobre o que deveria ser normal na economia de Deus.

 

(a)   Uma comunidade diversificada

Um ditado judaico comum é que, se você fizer uma pergunta a dois judeus, receberá três opiniões. Os judeus são um povo diverso em pensamento, cultura, expressão religiosa e autoidentificação.

Existem diversas diferenças culturais entre os judeus que vêm de origens asquenazes e sefarditas. Elas incluem comida, música e o modo como se observam dias santos e momentos da vida. Os judeus asquenazes descendem dos judeus alemães, poloneses, austríacos e do Leste Europeu. Uma grande proporção de judeus da América do Norte procede dessas origens. Os judeus sefarditas são descendentes dos judeus da Espanha e Portugal, que se estabeleceram no norte da África e no sul da Europa. No Israel moderno, “sefardita” também refere-se a judeus de descendência do Oriente Próximo.

Há uma diversidade de expressões religiosas entre os judeus. Alguns seguem as formas ortodoxa, conservadora, liberal [reformada] e reconstrucionista, humanística ou hassídica do judaísmo, enquanto outros identificam-se como secularistas, agnósticos ou ateus. O judaísmo contemporâneo também adotou formas religiosas alternativas na Cabala (judaísmo místico), Nova Era, uma forma de budismo judaico e hinduísmo judaico.

A autoidentificação entre os judeus é um reflexo de sua geografia. Os judeus israelenses e da diáspora vivem um judaísmo próprio com perspectivas diferentes. A maioria dos judeus israelenses são secularizados e sem necessidade de afiliação religiosa. Eles falam uma língua judaica, o hebraico. Eles defendem o Estado judeu por meio do serviço militar israelense. Seu calendário inclui festas judaicas e seus filhos estudam a Bíblia nas escolas como parte de sua história. Por outro lado, os judeus da diáspora vivem como presença minoritária nos diversos países onde moram. Eles geralmente definem-se pelo que não são (por exemplo: “Nós, judeus, não acreditamos em Jesus”).

 

(b)   Semelhanças

Embora o povo judeu não seja monolítico, ele apresenta bastante uniformidade.

1. Sofrimento e vitimização – O antissemitismo transcende as culturas divergentes, expressões religiosas e autoidentificação do povo judeu. O antissemitismo é uma ideologia que culpa o povo judeu pelos males do mundo. Muitas vezes, está politicamente associado à oposição ao Estado de Israel e é predominante no mundo atual. A linguagem do antissemitismo prolifera na Internet. O ódio antissemita internacional tem se manifestado recentemente na forma de atentados a sinagogas, profanação de cemitérios judeus, ataques a turistas judeus e várias formas de ataques terroristas a israelenses em seu próprio país e no exterior. Os judeus sofrem com o ódio antissemita quer vivam em Jerusalém, Paris, Wellington ou Northridge. Um resultado disso é uma certa desconfiança por parte dos judeus frente à suposta hostilidade do mundo gentio. O chamado à igreja inclui uma mudança nessa percepção.

2. Identificação com Israel – A realização da terra prometida por Deus a Abraão, o pai do povo judeu, ocupa um lugar especial para muitos judeus hoje. A nação moderna de Israel foi criada como lar seguro para refugiados judeus. Qualquer ameaça à segurança de Israel é percebida como uma ameaça aos judeus em todo o mundo. Nos dias atuais, a sobrevivência judaica está ligada à segurança nacional de Israel. Portanto, Israel é inextricavelmente uma parte da psique dos judeus em todo o mundo.

3. Sede por espiritualidade – A espiritualidade, no contexto judaico, está ligada a se tornar um judeu melhor e mais instruído. O significado do judaísmo é encontrado nas raízes históricas e no significado bíblico de ser escolhido por Deus. A busca por esse significado é realizada no misticismo judaico, no estudo da Torá ou no cumprimento da lei, na busca pela justiça e nas causas sociais e na erudição em todas as áreas.

4. Uma comunidade em deslocamento – A emigração de judeus de países árabes nos anos 50 foi uma mudança significativa na população. Cinquenta anos depois, judeus da antiga União Soviética estão novamente em movimento. Os números dessa emigração de 1990 até o presente incluem aproximadamente 875 mil para Israel, 200 mil para Nova Iorque e 200 mil para a Alemanha. Esses judeus recém-chegados estão mais abertos ao evangelho do que os judeus que já estão totalmente inseridos na sociedade. Outros movimentos incluem mudanças dentro das regiões geográficas. Por exemplo, nos EUA, o povo judeu está saindo das cidades da costa leste para centros emergentes como Phoenix, Las Vegas e o sul da Flórida. A população israelense continua crescendo. É previsto que, até 2020, a população judaica israelense seja a maior do mundo. Essas mudanças têm implicações importantes para a estratégia de evangelização dos judeus.

5. Uma geração em transformação – Os judeus do mundo estão mudando. A maioria dos 400 mil universitários judeus americanos evitam grupos judaicos inseridos na universidade. As taxas de divórcio entre judeus americanos aumentaram, perdendo apenas para as taxas entre casais mistos (judeus casados com gentios). Pesquisas recentes apontam uma taxa de casamentos mistos de 80% entre os judeus da Rússia e Ucrânia. As comunidades judaicas da Alemanha e Hungria seguem com taxas de 60% de casamentos mistos. Judeus nos Estados Unidos casam-se com gentios a uma taxa de 54%; judeus da França, Grã-Bretanha e Argentina estão logo abaixo, com 45%. Os judeus casam-se com gentios a uma taxa de 35% no Canadá, 22% na Austrália, 20% na África do Sul e 10% no México. Em Israel, a taxa de casamentos mistos é de apenas cinco por cento, com a maioria dos casais provenientes da antiga União Soviética.[1]

Esses fatores oferecem oportunidades para a evangelização dos judeus e formam a base para novas iniciativas para levar o evangelho a um mundo judaico diversificado.

 

(c)   Missões entre os judeus através dos tempos

A comunidade judaica na época do segundo templo era tão diversificada quanto a comunidade judaica é hoje. Os discípulos de Jesus vieram de diferentes origens culturais e diversas sociedades judaicas e tinham uma variedade de posições religiosas e políticas. Sua resposta mútua ao ensino de Jesus foi o que os uniu.

Os Atos dos Apóstolos contam como eles proclamaram o evangelho primeiro entre os peregrinos judeus em Jerusalém durante a festa de Shavuot (Pentecostes). De lá para cá, sempre existiram membros judeus no Corpo de Cristo. Os judeus crentes em Jesus foram os primeiros missionários, plantadores de igrejas e mártires. Eles foram os primeiros a espalhar as boas novas do Messias por todo o mundo greco-romano.

Judeus crentes em Jesus têm sido identificados ao longo dos tempos desde aquela época. Grupos inteiros de judeus podem ser reconhecidos na igreja, vivendo expressões da identidade judaica e da fé cristã, até mesmo no final do século 4. Nesse período, a separação entre igreja e sinagoga tornou-se completa. Judeus nas igrejas foram proibidos de seguir o judaísmo e os cristãos, proibidos de ir às sinagogas. Os judeus crentes em Jesus tornaram-se um grupo marginalizado, não pertencente a nenhum dos dois grupos. Eles eram considerados uma ameaça à integridade do judaísmo e da igreja cristã. No entanto, em todos os séculos, judeus estavam representados dentro da igreja. Alguns vieram por conversões forçadas, que é uma parte trágica da história da igreja. Outros, em todas as épocas, tornaram-se seguidores de Jesus por crença genuína.

A partir do século 17, os movimentos pietistas e evangélicos renovaram o interesse pelo povo judeu e seu papel contínuo na história da salvação. Na época, missionários treinados foram enviados para trabalhar entre judeus, principalmente no Leste Europeu.

O avivamento na Grã-Bretanha e América do Norte no século 19 viu o estabelecimento de sociedades missionárias judaicas modernas. Muitos dos missionários eram judeus crentes, alcançando seu próprio povo em nome de Jesus. Os crentes judeus têm contribuído significativamente para a missão da igreja até os dias atuais.

No século 19, judeus crentes começaram a rejeitar a ideia, mantida pela igreja e pelas comunidades judaicas, de que o judaísmo e Jesus são mutuamente exclusivos. No final do século 20, um movimento revitalizado de judeus seguidores de Jesus estava crescendo rapidamente e internacionalmente. Um novo dia amanheceu na história judaica, quando mais uma vez os judeus proclamavam o evangelho de Jesus, o Messias, em Jerusalém e em outras partes do mundo.

 

(d)   Judeus crentes e evangelização de judeus

As estimativas do número de judeus crentes em Jesus em todo o mundo variam muito. O pesquisador cristão Patrick Johnstone calcula uma cifra internacional de 332 mil.[2] As organizações antimissionárias especulam 275 mil.[3]

Obreiros de missões para a evangelização dos judeus certamente seriam incentivados por qualquer um dos números citados. No entanto, o estadista missionário judeu Moishe Rosen abordou a questão do exagero na conferência internacional da CLEJ de 2003 em Helsinque, Finlândia: “… quando procuro por eles [crentes judeus], não os encontro, e tenho certeza de que não os encontro porque eles não estão lá. Pelo menos não nos grandes números que nos informam”.[4]

Em Israel, há mais não-judeus se convertendo ao judaísmo a cada ano do que judeus aceitando a Cristo. Foi dito que somente nos EUA existem 200 mil “judeus por escolha” que declaram ser de família não-judaica.[5] Uma estimativa conservadora do número de judeus crentes no mundo hoje é de 50 mil a 90 mil. É difícil ser mais preciso.

Abaixo, temos uma representação de algumas das localidades em que os judeus crentes em Jesus vivem. Sua identidade judaica messiânica é variada, porém fornece um claro testemunho de fé em Jesus para seus pares judeus incrédulos.[6]

Israel

Uma pesquisa realizada em 1999 com congregações messiânicas em Israel apontou cerca de 5 mil crentes que frequentam congregações messiânicas. Esse número inclui cônjuges não judeus, filhos e alguns gentios.[7] Desde então, o número de judeus crentes no país tem aumentado.

A maioria faz parte de aproximadamente 100 congregações ou pequenos grupos independentes. No entanto, existem estruturas nacionais para eles se conectarem: uma conferência de liderança, um comitê nacional de evangelismo e programas e acampamentos para crianças e jovens. Estes servem para unir o movimento. Agências missionárias independentes operam em Israel, trabalhando em cooperação com as congregações locais. Com a chegada de judeus crentes de língua russa, novas congregações surgiram. Da mesma forma, os judeus etíopes crentes em Jesus também estabeleceram congregações.

O treinamento teológico e prático agora está disponível no país em escolas bíblicas credenciadas como o Israel College of the Bible (ICB). Fundado em 1990, o ICB oferece ensino de graduação para israelenses que anteriormente tinham de deixar o país para fazer um curso equivalente. O Centro Caspari de Estudos Bíblicos e Judaicos foi criado em 1983, e oferece aulas de liderança e trabalho infantil para indivíduos e congregações locais. Ambos estão situados em Jerusalém.

É um mito que o evangelismo seja ilegal em Israel. Sob a lei israelense, os crentes em Jesus têm liberdade para expressar e compartilhar sua fé com a população adulta. Literatura evangelística, livros e vídeos são distribuídos. Visitas evangelísticas pessoais são feitas, e a divulgação do evangelho é realizada em eventos públicos como os festivais da Nova Era. Campanhas evangelísticas organizadas são realizadas, e o evangelismo entre estudantes judeus e árabes israelenses ocorre em campiuniversitários em Israel ao longo do ano. O ministério de jovens e crianças é realizado por meio de clubes bíblicos, ajuda humanitária, acampamentos e conferências de jovens. Os esforços de evangelização não estão livres de assédio. Alguns crentes judeus enfrentam reações negativas, polarizando a cobertura dos jornais e o assédio físico.

Um número significativo de israelenses converte-se ao cristianismo enquanto viaja ao exterior.

Rússia e ex-União Soviética

Houve uma mudança demográfica significativa nos últimos tempos, embora ainda exista um grande número de judeus de língua russa na ex-União Soviética (ex-URSS). Uma grande campanha evangelística continua, embora o nível de abertura tenha diminuído. O povo judeu continua convertendo-se ao cristianismo. Dezenas de trabalhos missionários estão alcançando judeus em nove antigas repúblicas soviéticas: Ucrânia, Rússia, Bielorússia, Moldávia, Estônia, Cazaquistão, Quirguizistão, Turquemenistão e Uzbequistão.

Esses ministérios incluem evangelismo e distribuição de folhetos nas ruas, visitas pessoais e shows evangelísticos, além de festivais de música e dança. Eles têm plantado congregações de judeus crentes em Jesus, realizado celebrações em feriados públicos, estudos bíblicos em pequenos grupos, discipulado, ministério infantil, transmissões de rádio e evangelismo via internet. Eles também fazem evangelismo nas prisões, conferências messiânicas, distribuição de literatura e tradução da Bíblia, e oferecem ajuda humanitária e assistência médica, assim como educação bíblica e treinamento em evangelização dos judeus.

Atualmente, existem muitos desafios para a evangelização dos judeus na ex-URSS:

Ascensão do antissemitismo – Atos aleatórios de violência contra instituições judaicas e eventos messiânicos. Os missionários aos judeus sofrem abuso físico e verbal por parte de nacionalistas que os odeiam simplesmente por serem judeus.

Retorno das restrições da era soviética – As restrições são mais prevalentes nas repúblicas da Ásia Central. As leis de registro são restritivas, e os vistos para novos trabalhadores, limitados. Projetos de lei ameaçam a legalidade atual do evangelismo ao ar livre.

Ascensão da atividade antimissionária organizada – A Liga Magen antimissionária promove distribuição de folhetos de oposição, destruição de propriedade privada, abuso verbal e ataques físicos. Eles também registram acusações falsas na imprensa e junto às autoridades locais.

Apesar do aumento da oposição religiosa e das restrições políticas, o evangelho está sendo difundido. A melhor evidência disso pode ser vista não apenas na ex-URSS, mas também, por consequência, no resto do mundo. Os judeus russos crentes em Jesus, que ouviram o evangelho pela primeira vez na ex-URSS, estão testemunhando atualmente em Israel, nos EUA, no Canadá e na Alemanha.

Alemanha

Em contraste com a dizimação da comunidade judaica da Alemanha (de 565 mil em 1933 para apenas 20 mil em meados da década de 1960), o cenário atual é mais animador. Desde 1990, a Alemanha tornou-se a população judaica que mais cresce na Europa. Dos aproximadamente 200 mil judeus na Alemanha, 80% são imigrantes judeus da ex-URSS. Várias centenas já aceitaram a Cristo.

As congregações messiânicas encontram-se nos principais centros do país, onde material  evangelístico é produzido em língua russa e distribuído. Material de treinamento para evangelização dos judeus também está disponível em alemão.

Os judeus de origem russa apresentam certas características singulares. Eles possuem uma forte identidade judaica, no entanto carecem de conhecimento sobre o judaísmo e as tradições judaicas. Muitos consideram-se ateus e humanistas. São profissionais com boa formação, mas muitos estão desempregados. A maioria dos jovens é composta de universitários que estão abertos a ideias e conversas. Eles têm um profundo respeito pelos alemães, mas têm dificuldade em se adaptar à nova cultura.

Os desafios para alcançar essa comunidade são grandes. As agências missionárias judaicas dos EUA e da Europa Ocidental direcionaram recursos para o ministério na Alemanha. Esses ministérios incluem evangelismo direto por meio de distribuição de literatura, discipulado individual, eventos evangelísticos, plantação de novas congregações, tradução da Bíblia, internet, transmissões de rádio e ajuda humanitária.

América do Norte

Canadá – Existem três principais centros da vida judaica e, portanto, da missão no Canadá. Toronto possui uma alta concentração de sobreviventes do Holocausto. Montreal tem uma grande

comunidade hassídica. Vancouver é uma cidade universitária cuja maior concentração judaica encontra-se nas universidades. Cerca de uma dúzia de agências missionárias judaicas e mais de uma dúzia de congregações messiânicas estão espalhadas no país.

Estados Unidos: Estima-se que o número de judeus crentes nos EUA esteja entre 40 mil e 60 mil. Muitos fazem parte das igrejas tradicionais, porém existem 400 congregações messiânicas e comunidades distribuídas por quase todos os cinquenta estados nas quais um número expressivo de judeus crentes cultua. As agências de evangelização dos judeus enviam aproximadamente 150 missionários de tempo integral para ministrar nos EUA. Eles fazem evangelismo pessoal, distribuição de literatura, visitação pessoal e de casa em casa, campanhas nas universidades, acampamentos e trabalho com jovens, plantação de congregações messiânicas, celebração de dias sagrados, encontros, shows, teatro, debates, exibição de filmes, publicidade evangelística, websites evangelísticos, ministério em salas de bate-papo, seminários de evangelização de judeus, programas de rádio e televisão e assistência social.

Algumas agências são bem especializadas e estruturadas para alcançar uma determinada população judaica americana, tais como israelenses que vivem em Los Angeles ou judeus hassídicos em Nova Iorque. Alguns concentram-se em uma metodologia, como plantação de igrejas ou rádio ministério. Outros fazem um trabalho amplo de divulgação direta e treinamento de evangelização de judeus nas igrejas. A gama teológica é variada, embora a maioria aceite o Pacto de Lausanne.

 

(e)   Oposição à evangelização dos judeus

A oposição à evangelização dos judeus não é algo novo. Ela possui raízes no âmbito espiritual. Deus escolheu transmitir Sua verdade ao mundo através do povo judeu. “A salvação é dos judeus” (João 4.22). O caráter de Deus, a confiabilidade da Bíblia e as promessas relativas à futura redenção mundial serão demonstradas através da sobrevivência do povo judeu e em sua salvação por Cristo (Romanos 11.12 e 15). Portanto, forças espirituais estão alinhadas contra Deus e Seu povo escolhido.

Um dos aspectos mais importantes da evangelização dos judeus é a formação de organizações com o único objetivo de combater a “ameaça” missionária. Exemplos destes grupos são o Yad L’Achim em Israel, a Liga Magen na ex-URSS e Judeus pelo Judaísmo na América do Norte.

Outras agências, como a rede de Federações Judaicas na América do Norte, Conselhos de Representantes Judaicos no Reino Unido, Austrália e África do Sul e várias associações rabínicas também incluem atividades antimissionárias em suas pautas de trabalho. Todos esses grupos são considerados oposição e não o inimigo. Eles também são judeus pelos quais o Messias morreu.

 

(f)   Estratégias de oposição

Educativas – Grupos de oposição produziram literatura, vídeos e fitas de áudio apologéticos tentando contradizer as reivindicações messiânicas do Novo Testamento cumpridas em Jesus. Tais materiais também apresentam a perseguição histórica dos judeus pelos cristãos, como a afirmação de que a fé judaica em Cristo é equivalente à deslealdade ao povo judeu e a juntar-se a seus perseguidores. Eles desenvolveram seminários para instruir os judeus sobre como responder aos missionários.

Sociológicas  As agências de oposição trabalham para criar um clima inflamatório no qual os judeus que refletem sobre as reivindicações de Cristo temem ser marginalizados. A autenticidade da identidade judaica dos seguidores de Jesus é questionada. Sua lealdade ao povo judeu é desafiada. Seu acesso às redes da comunidade judaica é comprometido, pois passam a ser barrados da vida tradicional da sinagoga ou enterro em cemitérios judeus.

Situacionais  Essas organizações também buscam interromper os esforços evangelísticos judaicos, pressionando as autoridades governamentais e os grupos do setor privado. Eles fazem campanhas por carta e telefone com táticas ofensivas planejadas para convencer estações de rádio a deixarem de divulgar campanhas publicitárias e pressionar os estabelecimentos privados a cancelar contratos para sediar eventos evangelísticos.

Diálogo  O objetivo ostensivo do diálogo judaico-cristão é uma melhor compreensão mútua. O verdadeiro diálogo vale a pena. No entanto, os parceiros de diálogo judeus querem que os cristãos entendam que os judeus não precisam de Jesus. Assim, os diálogos tornam-se oportunidades de propaganda unilateral. A evidência disso é a diretriz para que os judeus crentes em Jesus não participem de nenhum dos diálogos.

Organizacionais – Alguns esforços de oposição visam efetuar mudanças nas políticas de denominações e missões da igreja. O objetivo é marginalizar a evangelização dos judeus ou eliminá-la completamente da comissão da igreja de fazer discípulos detodas as nações. Sob o pretexto de um “acordo inter-religioso”, profissionais judeus de tempo integral são empregados para pressionar os órgãos da igreja a abandonar o evangelismo direto entre os judeus. Por exemplo, os líderes judeus dos EUA, em consultoria para um subcomitê de bispos católicos nacionais, ajudaram a elaborar um documento importante que tornou a conversão de judeus ao cristianismo teologicamente inaceitável na Igreja Católica.[8]

Metodológicas – Os evangélicos são pressionados a renegar a necessidade de testemunho do evangelho a todos os povos da terra. Quando a oposição à evangelização dos judeus falha em obter a exclusão do povo judeu da Grande Comissão, eles atacam os motivos e a metodologia dos esforços missionários entre os judeus. Acusações falsas e infundadas de táticas antiéticas, enganosas, ilusórias, sectárias, exploradoras, insensíveis e abusivas são levantadas contra os praticantes da evangelização dos judeus. Os grupos de oposição exercem pressão sobre os cristãos evangélicos para se desassociarem dos esforços e agências de missão entre os judeus e se submeterem às demandas dos líderes judeus “ofendidos”, escolhendo afirmar a fé tradicional do judaísmo sem a necessidade de Jesus. Às vezes, a tática é divulgar declarações pedindo aos evangélicos que não visem os judeus para evangelização. Eles são incentivados a “aderir” às declarações para distanciar suas igrejas dos esforços missionários judaicos “inadequados”. Alguns líderes evangélicos aceitaram, temendo que seu apoio à evangelização dos judeus venha a prejudicar sua amizade com os líderes da comunidade judaica. O preço dessa “amizade”, às custas da evangelização dos judeus, é colocar em jogo as almas judaicas.

 

(g)   Resumo

A evangelização dos judeus é um dos campos mais difíceis da missão cristã. No entanto, é de se esperar que haja oposição ao evangelho, e os obreiros neste campo não se desanimam por causa dela. Muitos procuram por um “apóstolo Paulo” em potencial entre aqueles que se opõem à evangelização dos judeus com tanto vigor. A grande maioria do povo judeu não está envolvida nos tipos de oposição listados acima. A maioria defenderia o direito das missões judaicas de existir e de apresentar livremente a mensagem de Jesus para consideração pelos judeus e gentios.

Escrito originalmente em inglês, o texto foi traduzido por Lailah de Noronha para publicação pelo Marureo com a devida autorização.

 

[1] Sergio DellaPergola, Uzi Rebhun e Mark Tolts, “Prospecting the Jewish future: population projections, 2000-2080” [“Explorando o futuro judaico: projeções populacionais, 2000-2080”] em David Singer e Lawrence Grossman, eds., American Jewish Year Book, 2000 [Anuário Judeu-Americano, 2000] (New York: American Jewish Committee, 2000).

[2] Patrick Johnstone e Jason Mandryk, (21ª edição) Operation World: When We Pray God Works [Operação Mundo: Quando Oramos Deus Age] (Londres: Paternoster Press Publishing, 2001), 362.

[3] Veja o site Jews for Judaism: www.jewsforjudaism.org/web/mainpages/missionary_cult_challenge.html.

[4] Moishe Rosen, “The Fact of Failure” [A Realidade do Fracasso] em LCJE Helsinki, Finland 2003, (Århus: LCJE, 2003), 297-298.

[5] Veja, por exemplo, www.jbuff.com.

[6] Neste relatório, usamos o termo “judeu messiânico” no sentido mais amplo para se referir a todos os judeus crentes em Jesus. Outros termos também são usados e, até o momento, nenhum termo teve aceitação universal.

[7] Ver Kai Kjaer-Hansen and Bodil F. Skjott, Facts & Myths [Fatos e Mitos], (1999).

[8] Veja o site da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos de 12 de agosto de 2002, “Reflections on Covenant and Mission” [“Reflexões sobre Aliança e Missão”]. Em http://www.usccb.org/comm/archives/2002/02-154.htm.

Comments

Postagens Recentes
0