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Líbano, campo missionário

Refugiados, crise econômica, pandemia e explosão: o que a Igreja pode fazer?

Os olhos do mundo estão, nesta semana, voltados para Beirute, capital do Líbano, por conta da explosão que deixou boa parte da cidade em ruínas, matou mais de 150 pessoas, e feriu mais de 5 mil no dia 4 de agosto.

“A situação do país é extremamente difícil. Agora, a Igreja pode (na verdade, deveria!) orar e enviar ajuda financeira”, diz Filipe Amado, cristão brasileiro que morou no Líbano de 2013 a 2018, e se mudou por questões de visto. “Em médio e longo prazos, profissionais cristãos poderiam se preparar para ir viver no Líbano com o objetivo de disseminar os valores do Reino de Deus ali”, completa.

A catástrofe agravou uma situação que já era de muita vulnerabilidade. O Líbano tem cerca de 6,8 milhões de habitantes, e abriga hoje a maior concentração de refugiados do mundo: dados do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) apontam 928 mil sírios que fugiram por conta da guerra civil em território libanês (a Síria faz fronteira com o Líbano ao norte e a leste; Israel fica ao sul). Outras organizações, como a Anera, estimam uma população de mais de 1,5 milhão de refugiados, sendo os palestinos – que migraram para lá quando foram expulsos por Israel de seus territórios em 1948 – cerca de 300 mil.

Antes da explosão, a ruína econômica do Líbano já era evidente. O país ganhou sua independência da França em 1943, e desfrutou então de um período de prosperidade. Em 1975, no entanto, eclodiu uma devastadora guerra civil que durou 15 anos. “Imagine alguém que até 1990 viveu sob o estresse constante de explosões ter a sua casa destruída por outra explosão agora”, conta Amado. Além dos conflitos internos, Israel e Líbano entraram em confronto por mais de uma vez, sendo a última em 2006, ocasião em que o grupo extremista Hezbollah esteve envolvido. Guerras, corrupção, refugiados, crise econômica, pandemia do novo coronavírus, explosão: o que a Igreja pode fazer?

O cristianismo no Líbano tem mais de 2 mil anos

A maioria da população do Líbano é muçulmana. Apesar de o evangelho ter chegado ali já no primeiro século, a expansão árabe levou o islamismo para aquela região no século 7 e hoje, segundo dados oficiais, os muçulmanos são 61,6% da população libanesa (30,6% sunitas e 30,5% xiitas) e os cristãos, 33,7%. “Dos países árabes, o Líbano é talvez o com maior liberdade religiosa”, diz Filipe. Segundo ele, os cristãos podem se reunir e prestar culto, muçulmanos que abraçam o evangelho de Jesus, contudo, sofrem grande pressão de sua comunidade de fé.

No tempo em que viveu no Líbano, Filipe Amado, que passou a infância e parte da adolescência no Marrocos, atuou como consultor na área de Marketing e Gestão. “Há uma demanda grande por profissionais capacitados”, explica ele. “Conheço apenas umas quatro ou cinco famílias brasileiras cristãs que moram no país com o propósito de transformar a realidade local por meio do amor de Cristo.” Para ele, o testemunho cristão no Líbano não envolve, necessariamente, plantação de mais igrejas. Há igrejas, católicas e evangélicas. “Participei, inclusive, de eventos cristãos que reuniram mais de mil jovens”, conta. Mas até que ponto os cristãos têm sido sal e luz junto aos mais de 6 milhões de pessoas que têm enfrentado tantos desafios nas últimas décadas?

Como ajudar?

Bem, a decisão de ir viver no Líbano envolve preparação consistente (incluindo aprendizado do idioma árabe), apoio da igreja local e envolvimento com organizações cristãs sérias que já atuam no país. Mas Deus capacita quem ele chama para se envolver com a sua missão onde quer que seja.

Quanto a orar, como disse Jason Mandryk no eBook Transmissão Global, Missão Global: “Os bloqueios e quarentenas não oferecem barreiras à intercessão global”. Aos que desejam enviar ajuda financeira, tão necessária no momento, fica aqui a indicação de duas organizações cristãs que já atuam no Líbano com diversos projetos, e que estão agora envolvidas com a emergência em decorrência da explosão que destruiu boa parte de Beirute: Enduring Love e FFRL.

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