Precisamos conversar sobre o custo das nossas teologias para o Oriente Médio

 

 

por Marcos Amado

 

Criando barreiras e causando dificuldades

Precisamos conversar sobre o custo das nossas teologias para o Oriente Médio. Até que ponto elas estão criando barreiras para o testemunho do amor de Cristo na região e dificultando a vida dos cristãos locais?

Meios de comunicação ocidentais das mais diversas estirpes estão dando destaque ao assunto. Líderes de grupos islâmicos radicais também estão falando sobre isso. A Al Jazeera — uma rede internacional de notícias sediada em Doha e financiada pelo Qatar — tem dedicado reportagens que tentam esclarecer a questão para o público árabe.

No Marrocos, país 99% muçulmano onde a conversão a outra religião pode ser punida, a revista semanal marroquina TelQuel publicou, há alguns dias, uma reportagem intitulada: “Grande Israel: como a Bíblia foi transformada em doutrina militar.” Entre outras coisas, a revista afirma:

De Ben-Gurion à operação “Epic Fury”, uma ideologia messiânica une Washington e Tel Aviv. Seus textos fundadores são bíblicos, seus soldados são evangélicos, seus financiamentos irrigam os assentamentos — e suas bombas caem sobre Teerã. Anatomia de uma convergência política feita em nome do divino.

Quais são as implicações disso?

  • Por que cristãos evangélicos, juntamente com seus seminários teológicos e centros de treinamento missionário, evitam falar sobre esse assunto?

  • Não seria este um tema profundamente missiológico?

  • Será que criamos ídolos ideológicos disfarçados de doutrinas bíblicas, que acabam nos afastando da essência do evangelho?

  • Por que nos preocupamos quando cristãos sofrem perseguição por parte de outros grupos religiosos, mas nos calamos quando esse sofrimento ocorre como resultado do nosso apoio (por ação ou por omissão) a certas políticas de Estado que utilizam a Bíblia para alcançar seus fins?

Há pouco mais de um mês, patriarcas e líderes de igrejas em Jerusalém alertaram que cristãos ocidentais estão promovendo uma teologia que “engana o público, semeia confusão e prejudica a unidade do rebanho”, colocando em risco a própria presença cristã na Terra Santa (mais sobre isso em breve).

Esse é um apelo direto e inequívoco, vindo de cristãos do próprio Oriente Médio.

Até quando evitaremos esse assunto?

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