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Ministério no local de trabalho

848 cristãos de 110 países reuniram-se em Manila, nas Filipinas, para tratar do tema

“Quando algum de meus colegas de trabalho está hospitalizado, faço questão de ir visitá-lo, e peço permissão para orar por ele”, conta Carlos Nomoto, cristão que mora em São Paulo e exerce seus dons, sua vocação, no ambiente corporativo. “Independentemente da fé que eles têm, nunca ouvi um não”, completa.

Apesar de a iniciativa descrita não ocorrer especificamente no local de trabalho (como sugere o título deste post), ela é um exemplo prático de como se engajar com a Missão de Deus nesse ambiente, o do trabalho em uma empresa ou como profissional autônomo.

Em junho deste ano, 848 cristãos de 110 países reuniram-se em Manila, nas Filipinas, para o Fórum Mundial do Trabalho, uma iniciativa do Movimento de Lausanne, que conecta influenciadores e ideias para a missão mundial. Palestras, oficinais e troca de experiências a respeito de como os cristãos podem ser sal e luz no trabalho fizeram parte da agenda do evento. Além do alvo de contar com pelo menos 500 participantes, as metas de pelo menos 30% deles serem mulheres e pelo menos 30% terem menos de 40 anos também foram alcançadas.

Tim Keller, pastor que exerce grande influência entre os cristãos evangélicos, escreveu, junto com Katherine Leary Alsdor, o livro Como integrar Fé e Trabalho: Nossa profissão a serviço do Reino de Deus, publicado pela Editora Vida Nova em 2014. Em curto vídeo no YouTube, ele explica o que o motivou a tratar do tema. Mas o assunto não é novo. De acordo com Roberto Marques, do movimento brasileiro Fé & Trabalho, as primeiras obras sobre o tópico são da década de 30 e, ao redor do ano 2000, havia mais de 350 títulos sobre ministério no local de trabalho publicados.

Recentemente, foi lançado o Projeto Vocatio, que conta com o apoio do Seminário Teológico Servo de Cristo. Ministrado em Brasília (DF), é um programa com 8 módulos (de 2 ou 3 dias cada um) ministrados ao longo de um ano – incluindo aulas, leituras, mentoria e produção escrita – chamado “Integrando fé, trabalho e cultura”. É possível participar apenas como ouvinte de um dos módulos ou realizar o programa completo. Dentre os assuntos debatidos no Projeto Vocatio, estão perguntas que todos precisamos fazer:

  • Qual é o meu chamado/vocação?
  • Que relação o meu trabalho tem com o reino de Deus?
  • O que significa ser um embaixador de Deus no espaço público?
  • Minha família reconhece meu trabalho como uma missão para Deus?
  • Como minha igreja vê o meu trabalho?

Estamos falando de BAM?

A sigla BAM, Business as Mission (Négócios como Missão), muito mencionada entre os cristãos ultimamente, é, assim como ministério no local de trabalho, um dos temas emergentes do Movimento de Lausanne. O fato de ser outro tema já mostra que se trata de outra estratégia, também válida, no âmbito da cooperação com a Missão de Deus. BAM implica empreender, abrir uma empresa, com o propósito final de disseminar os valores do reino de Deus. O artigo “As agências missionárias do futuro”, de Paulo Humaitá, discorre de forma mais ampla sobre negócios como missão.

O início do movimento que buscava discutir fé e trabalho, aliás, focava basicamente nos empresários, nos empregadores. Organizações como a americana Cristian Business Men’s Committee (Comitê dos Homens de Negócios Cristãos), que surgiu por volta de 1930, reuniam patrões cristãos. No Brasil, movimento similar começou em 1961 com a criação da Associação de Dirigentes Cristãos (ADCE), e foi ampliado posteriormente com a Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (ADHONEP).

Assim como BAM, são iniciativas válidas, mas a grande massa de “missionários” no trabalho não é de empreendedores ou empresários. Em mensagem do último dia 13 de outubro intitulada “Os dons espirituais e o fruto do Espírito”, o pastor Ed René Kivitz cita o exemplo de uma enfermeira que, no exercício de sua profissão, de seu dom, pode (e deve!), como cristã, manifestar o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (cf. Gl 5.22 NVT).

No cooperar com a Missão de Deus, é importante observar como as diferentes frentes e estratégias – ministério no local de trabalho, ministério estudantil, missões transculturais, cuidado com a criação, BAM e assim por diante – não são excludentes. Elas são, na verdade, a manifestação dos diferentes dons concedidos aos cristãos. Veja este simples exemplo de como Deus atua por meio de sua Igreja: Lucimara De Larina é uma cristã que hoje atua como “missionária de carreira” em um contexto transcultural na Irlanda. Ela, por sua vez, conheceu o evangelho há décadas por meio de uma “missionária no ambiente de trabalho”. E assim seguimos cumprindo, cada um, a sua vocação.

Quer ampliar ainda mais sua visão sobre a abrangência da Missão de Deus?

Leia o artigo “Saúde mental, um dos aspectos da Missão”.

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