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Evangelização dos judeus – Estudos de caso: estratégias e iniciativas (Parte 5 Final)

Mídia, casais mistos e nova geração estão entre os esforços em nível mundial

Rev. Mitri Raheb

O conteúdo a seguir foi extraído do Documento Ocasional nº 60 de Lausanne. É uma produção do Grupo Temático “Alcançando o Povo Judeu com o Evangelho” do Fórum pela Evangelização Mundial de 2004 que aconteceu em Pattaya, Tailândia. Trata-se de uma iniciativa da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial.

 

Se preferir, leia antes:

Evangelização dos judeus – Um chamado à Igreja (Parte 1);
Evangelização dos judeus – Retrato da comunidade judaica atual (Parte 2);
Evangelização dos judeus – Crentes judeus na Igreja (Parte 3);
Evangelização dos judeus – Desafios enfrentados (Parte 4).

Boas coisas estão acontecendo ao redor do mundo no campo da evangelização dos judeus. A seguir, apresentamos uma seleção de iniciativas atuais e prospectivas de evangelização de judeus que são encorajadoras. Deve-se lembrar que cada uma dessas iniciativas precisa do apoio contínuo do Corpo de Cristo, por meio de oração, finanças e ajuda voluntária. Esses estudos de caso, estratégias, programas e planos são sinais para nós de que Deus ainda está trabalhando entre o povo judeu e eles estão ouvindo e recebendo as boas novas do Messias Jesus. O envolvimento contínuo do povo judeu na evangelização de judeus é um testemunho vivo de que Deus é fiel ao seu plano de tornar Israel uma luz para as nações.

(a) Evangelização local de judeus

(I) Campanhas evangelísticas municipais

Os estrategistas de missões aos judeus entendem que o povo judeu raramente busca a verdade sobre Jesus por iniciativa própria. Os missionários aos judeus precisam sair e estabelecer relacionamentos com pessoas que possam estar abertas ao evangelho. Como muitos judeus tendem a se dirigir aos centros urbanos, esses locais se tornam áreas ideais para divulgação.

Por muitos anos, várias agências de evangelização de judeus realizaram campanhas de divulgação em centros urbanos. Em 2001, a organização Judeus para Jesus lançou a Operação Behold Your God – BYG (Eis o teu Deus). É uma iniciativa focada e de longo alcance para realizar divulgação evangelística de impacto em todas as cidades do mundo, fora de Israel, com uma população judaica de 25 mil ou mais antes do verão de 2006. As campanhas são compostas de uma combinação de membros da equipe de Jesus para Jesus, cooperando com outras agências missionárias e equipes de voluntários bem treinados de igrejas locais e congregações messiânicas. Eles se dedicam a distribuição de literatura evangelística, telefonemas, testemunhos porta a porta, divulgação multimídia e eventos especiais. As campanhas BYG exigiram o desenvolvimento de novas estratégias de evangelismo para cidades que apresentam oportunidades especiais específicas e problemas únicos, tais como regulamentos governamentais resistentes à introdução do evangelho. Cada campanha tem duração inferior a um mês e inclui um programa de acompanhamento com coordenadores locais treinados para o ministério contínuo de discipulado. Os resultados foram acompanhados, com mais de 700 judeus e mais de 2.700 gentios fazendo profissões de fé até 2004.

(II) Divulgações de férias

As agências de missões aos judeus e as congregações messiânicas realizam atividades de evangelização durante as festas judaicas. Os integrantes e membros da congregação são incentivados a trazer amigos e familiares judeus para as cerimônias de Rosh Hashaná (Ano Novo) e Yom Kipur (Dia da Expiação). Estes são frequentemente cultos com ênfase evangelística.

A missão Light of Messiah Ministries, em Atlanta, Georgia, EUA, desenvolveram uma iniciativa criativa envolvendo igrejas locais em contato com suas comunidades judaicas durante os feriados judaicos. Os cristãos são convidados a doar cestas de alimentos para seus amigos judeus. Elas são entregues em mãos por crentes judeus aos lares das famílias judias, como forma de desejar “um ano bom e doce” ou uma “Feliz Páscoa” judaica. Isto cria uma oportunidade para compartilhar o evangelho.

(III) Mala direta para lares judaicos

Mala direta para o povo judeu é um componente importante da evangelização de judeus. Durante as campanhas evangelísticas, correspondências são enviadas para lares judeus, oferecendo um livro gratuito ou uma apresentação multimídia ou um convite para participar de um evento como um debate apologético ou uma celebração festiva. A maioria das missões publica boletins informativos que abordam assuntos de interesse do povo judeu de uma perspectiva judaica messiânica.

Shema Yisrael, uma missão perto de Detroit, Michigan, envia correspondências evangelísticas regulares para os lares judeus em sua área. Eles fazem parceria com igrejas locais, que ajudam a fornecer selos postais e voluntários para endereçar e inserir as cartas nos envelopes. Cartões postais também são enviados com uma breve mensagem convidando interessados a descobrir por que alguns judeus acreditam em Jesus. Os cartões oferecem um livro ou vídeo grátis e os dados de contato da congregação. Como resultado das correspondências, pessoas telefonam e visitam a congregação.

(b) Atingindo grupos judaicos específicos

A diversidade das comunidades e da cultura judaica requer o desenvolvimento de diferentes métodos para alcançar segmentos específicos de judeus. A seguir, apresentamos exemplos de algumas estratégias para alcançar subgrupos da população judaica mundial com o evangelho de Cristo.

(I) Atingindo a “Geração J”

O judaísmo convencional luta com a questão de como alcançar a geração judaica mais jovem. As missões aos judeus enfrentam o mesmo desafio. Hoje, estão sendo desenvolvidos materiais para jovens judeus, conhecidos como “Geração J”, mas ainda há muito a ser feito. Essa faixa etária está presa na transição do paradigma moderno para o pós-moderno. Algumas ideias que foram tentadas foram revistas eletrônicas, divulgação para estudantes universitários judeus durante períodos de férias escolares e divulgação evangelística em casas noturnas. Os ministérios no campus universitário é um componente vital para alcançar a “Geração J.”

Hope of David (Esperança de Davi), congregação messiânica em Atlanta, Georgia, EUA, realizou uma divulgação expressiva de 1999 a 2002 na Universidade da Georgia, onde 1 mil dos 30 mil estudantes se declaram judeus. A estratégia de divulgação utilizou quatro métodos: distribuição de literatura, palestras públicas, exibição de informações na praça dos estudantes e uma organização liderada por estudantes que fez parceria com grupos cristãos do campus e judeus messiânicos. Para formar um ministério no campus, a maioria das universidades públicas americanas exige que as iniciativas venham de estudantes registrados e não de agentes externos. Hope of David começou recrutando organizações estudantis cristãs que já existiam. Depois que o número mínimo exigido de alunos estivesse inscrito, o grupo podia distribuir panfletos de palestras públicas sobre assuntos polêmicos a fim de atrair alunos. Os temas incluíam: “Uma perspectiva judaica sobre a ressurreição de Jesus”, “Astrologia e o nascimento do Messias” e “Um Natal judaico”. A organização liderada por estudantes se reunia semanalmente para estudo bíblico e adoração. Voluntários montavam mesas de informações e distribuíam literatura, ajudando a atrair público para as palestras. Para Hope of David, a faixa etária universitária era considerada ideal para alcançar jovens judeus que estavam no processo de tomar suas próprias decisões sobre novas ideias. Não é fácil apresentar o evangelho para estudantes judeus. Portanto, é importante continuar proclamando e descobrindo maneiras mais eficazes de alcançar a “Geração J.”

(II) Ministério para místicos judeus

A Nova Era e as religiões e práticas orientais estão preenchendo um vazio espiritual entre os judeus. Alcançar JuBus (budistas judeus) e HinJus (hindus judeus) e os praticantes da Nova Era Judaica requerem abordagens únicas para essas visões de mundo. No entanto, treinamento e materiais especializados estão disponíveis.

Essa área é uma missão muito importante para os judeus israelenses. Muitos jovens israelenses estão se voltando para as religiões orientais e a Nova Era. Depois de cumprirem seu serviço no exército israelense, muitos optam por viajar para a Índia para explorar essas crenças. Ao mesmo tempo, alguns desses jovens estão abertos ao evangelho. Uma iniciativa conjunta por meio da cooperação entre o Centro Caspari em Israel e a Missão Israelense Dinamarquesa busca ministrar ao povo israelense por meio de programas missionários de curto prazo. As equipes de fiéis judeus israelenses com voluntários e funcionários de agências missionárias judaicas passam por um mês de treinamento, coincidindo com os Festivais da Nova Era que acontecem em Israel. As equipes passam três meses na Índia ministrando a judeus seguidores da Nova Era que também estão abertos ao evangelho.

(III) Atingindo os casais mistos

As evidências demográficas apontam para uma população crescente de casais judeus casados com gentios e indicam uma comunidade que já está passando por mudanças culturais. Esse fenômeno é uma oportunidade para campanhas evangelísticas adequadas. Enquanto as comunidades judaicas tendem a considerar casamentos mistos uma ameaça à sobrevivência judaica, essa preocupação não ocorre na igreja cristã. Consequentemente, as necessidades de casais mistos (namorados, casados ou em união estável) e suas famílias têm sido supridas principalmente por missões judaicas tradicionais. As igrejas cristãs devem ficar atentas a essa oportunidade de ministério em sua área e devem se mobilizar para alcançar um segmento do povo judeu que está pronto para responder a uma esperança de harmonia espiritual.

O maior desafio expresso por casais mistos é a luta para encontrar harmonia espiritual.[1] A mensagem cristã oferece aos casais os meios de conhecer o único Deus verdadeiro, sem anular as distinções étnicas dos cônjuges. Ao apresentar a mensagem precisa do evangelho, é necessário considerar as diferentes percepções culturais dos cônjuges judeus e gentios. Algumas congregações messiânicas já aproveitaram a oportunidade, fornecendo ministérios específicos para casais mistos de judeus e gentios. Veja o Apêndice D para mais informações.

(IV) Alcançando israelenses na Bolívia

Um casal de missionários da missão Avant Ministries, com sede em Cochabamba, Bolívia, e trabalhando com os índios yuquis, também tem uma oportunidade única de ministrar para israelenses. Sua região é um destino popular entre mochileiros israelenses que descobriram a missão, apreciaram sua hospitalidade e a recomendaram num guia de viagem israelense. Como resultado, israelenses passaram a procurar a missão. A família da missão agora recebe turistas israelenses regularmente. Uma visita típica inclui um passeio pelas instalações da missão, uma apresentação de slides do trabalho com os yuquis e uma refeição israelense. Bíblias hebraicas, incluindo o Novo Testamento, são distribuídas. Conversas sobre a missão cristã e as verdadeiras crenças cristãs ocorrem durante um jantar típico israelense. Até agora, a missão tem sido um centro de testemunho para mais de 8 mil israelenses.

(V) Estratégia para judeus hassídicos

A missão Hasidic Outreach Partnership for Evangelism (HOPE) é voltada para judeus ultra-ortodoxos hassídicos que vivem em uma comunidade muito fechada. Eles estão entre os judeus mais difíceis de alcançar. O objetivo da missão HOPE é conectar ministérios e obreiros de todo o mundo para concentrar recursos e oração para alcançar essas pessoas para Cristo. Outros ministérios judaicos, embora não tenham como alvo uma comunidade hassídica específica, realizam divulgação entre judeus hassídicos. Membros de missões de evangelização de judeus representadas em centros metropolitanos como Nova Iorque ou Londres, por exemplo, encontram-se com judeus hassídicos curiosos de tempos em tempos.

(VI) Alcançando o povo judeu pós-moderno

As profundas mudanças culturais ocorridas nas últimas décadas como resultado do pensamento pós-moderno têm impactado os judeus ocidentais. Um aspecto do pensamento pós-moderno rejeita a ideia de reivindicações objetivas da verdade e, em vez disso, afirma que a história e a experiência de cada pessoa são válidas e merecem ser ouvidas como verdade. Portanto, muitos judeus estão abertos a novas narrativas sobre espiritualidade. O trabalho missionário deve se preparar para interagir com judeus adeptos do pensamento pós-moderno.

Um recurso para lidar com o pós-modernismo é o Y Course (Curso Y), de coautoria do judeu cristão Joseph Steinberg de Londres. É uma série de oito semanas em DVD baseada no livro Beyond Belief? O Curso Y confronta a realidade de que a sociedade pós-moderna, incluindo o povo judeu, não sabe quem é Jesus, o que ele fez ou o que disse. O curso explora claramente a vida, e não a religião. Ele apresenta a história de Jesus, em vez de estudar assuntos de discipulado cristão, como oração ou cura. Ele examina questões da vida real, como o sofrimento, a validade de outras religiões e a vida após a morte. O curso dá às pessoas tempo para refletir sobre o que aprenderam. O Y Course utiliza ilustrações e histórias relevantes relacionadas à cultura e experiência do público pós-moderno. É mais um recurso para as igrejas que estão usando cursos de evangelismo voltados para “buscadores” para alcançar judeus e gentios pós-modernos.

(VII) Ministério infantil

A evangelização direta de crianças judias gera questões éticas. O evangelismo entre crianças judias geralmente ocorre no contexto do ministério para crianças judias crentes.

O Club Maccabee (Clube dos Macabeus), em Chicago, reconhece a necessidade de as crianças judias messiânicas receberem instrução bíblica regular e terem comunhão com outras crianças judias. O programa do clube está estruturado em 25 sessões semanais. Crianças judias crentes e não-crentes podem participar. A permissão dos pais é um pré-requisito para participação. As crianças recebem instrução judaica, explicação das festas, aulas de hebraico e ensino das escrituras do ponto de vista judaico. Em quatro anos, o Club Maccabee desenvolveu um programa organizado que agora está sendo usado por várias congregações messiânicas na América, Argentina e na antiga União Soviética. O clube em Chicago cresceu, ampliando os programas das séries primárias para o ensino médio.

Clubes bíblicos nos lares e acampamentos de verão também são oferecidos para crianças judias. Programas extensos de missões e programas congregacionais estão funcionando nos Estados Unidos e em Israel.

(c) Evangelismo na mídia

Um dos recursos mais fascinantes que as missões judaicas têm à sua disposição é a mídia. O uso eficaz da mídia em todos os seus aspectos é crucial para quem lida com evangelização de judeus.

(I) Evangelismo virtual

A Internet tornou-se a esquina, a lanchonete ou o mercado virtual para testemunhar e debater sobre assuntos religiosos em todo o mundo atual. Uma ampla seleção de materiais apologéticos está disponível on-line para responder às perguntas que os judeus estão fazendo. Existem fóruns de discussão para indivíduos expressarem suas ideias e interagirem com os outros. Talvez o ambiente mais interessante para comunicação eletrônica seja as salas de bate-papo. O PALtalk e as webcams permitem que as conversas de texto adquiram tom e textura.[2]

(II) Resposta rápida a acontecimentos

A cultura contemporânea exige que os envolvidos no evangelismo judaico estejam prontos para responder imediatamente aos eventos atuais de uma maneira que seja relevante aos interesses da comunidade judaica. Um exemplo disso foi o fenômeno em torno do filme A Paixão de Cristo.

O filme de Mel Gibson, e a controvérsia em torno dele, proporcionou oportunidades para a proclamação do evangelho ao povo judeu. Os judeus já estavam conversando sobre as implicações do filme, então não foi missiologicamente difícil para as agências missionárias entrarem na conversa, concentrando-se na mensagem de Jesus. Vários ministérios imediatamente publicaram artigos para responder às perguntas levantadas pelo filme e que abordavam a mensagem da “paixão” e a paixão de Cristo retratada na Bíblia. A missão Chosen People Ministries montou grupos de oração na noite de abertura do filme para conversar com as pessoas antes e depois do filme. O grupo Judeus para Jesus publicou anúncios de página inteira no Variety e no New York Times intitulados “Uma carta aberta a Mel Gibson de um Judeu para Jesus”. O grupo criou oportunidades para mais cobertura da mídia e discussão adicional sobre o assunto por meio de entrevistas e artigos subsequentes. A Igreja e as pessoas envolvidas na evangelização de judeus precisam estar tão atualizadas em termos da mídia e da cultura quanto o público judeu que está aberto para o evangelho.

(III) Ministérios de rádio e televisão

O número de programas de rádio e televisão que apresentam judeus messiânicos está crescendo com o aumento do interesse por influências judaicas no cristianismo e evangelização dos judeus. Alguns dos programas de televisão americanos mais conhecidos são “Zola Levitt Presents”, “Jewish Voice Today”, “Messianic Vision de Sid Roth”, “Jewish Jewels” e elementos da “Middle East TV” transmitidos para Israel. Os programas se concentram em educar os cristãos sobre judeus e evangelização de judeus, enquanto alcançam uma audiência de judeus interessados. A crescente popularidade do rádio via Internet possibilitou trabalhos de rádio, tais como o programa “Messianic Jewish Radio” e “Messianic Minutes” do Messianic Bureau International. Os programas normalmente apresentam testemunhos de judeus crentes em Jesus, música messiânica e ensino da Bíblia.

(IV) O poder da história na evangelização dos judeus

Testemunhos por meio do sofrimento: “Survivor Stories” (Histórias de Sobreviventes) é um projeto de vídeo com sete testemunhos comoventes de sobreviventes do holocausto judaico que aceitaram a Cristo. Eles apresentam um argumento convincente em defesa do evangelho. O vídeo foi apresentado para “buscadores” em espaços seculares nos EUA, França, Ucrânia, Rússia, Inglaterra, Brasil e Canadá. Anúncios evangelísticos em jornais, outdoors e estações de rádio têm oferecido aos “buscadores” um guia de estudo ou uma cópia gratuita do vídeo. Eles podem aprender sobre o poder do perdão e da vitória sobre o ódio por meio do Messias Jesus. Mais de 21 mil cópias do vídeo foram distribuídas dessa maneira. À luz das atrocidades cometidas na Europa cristianizada, esse filme oferece uma oportunidade de apresentar o Jesus amoroso da Bíblia a um grupo ressentido da comunidade judaica.

Testemunhos em meio a conflitos: “Paz Proibida” é um vídeo documentário de palestinos de origem muçulmana e judeus israelenses que compartilham suas histórias de fé em Cristo. Começando com a necessidade de se reconciliarem com Deus, eles também falam da necessidade de se reconciliarem uns com os outros. A mensagem do vídeo é que a única esperança de paz verdadeira e duradoura no Oriente Médio, ou em qualquer outro lugar, está em Jesus. Esse filme foi apresentado em campi universitários, com o patrocínio de ministérios cristãos para universitários. Muitas vezes, depois do filme, uma equipe de árabes e judeus crentes responde a perguntas. Uma pesquisa de seguimento para obter mais informações é incluída com um guia de estudo para avaliação após a visualização do filme.

Testemunhos dos autossuficientes: os judeus são considerados, na maioria das vezes, bem-educados e realizados em relação a questões materiais. Portanto, histórias de judeus que são bem-sucedidos pelos padrões do mundo, mas que reconhecem sua pobreza espiritual, são poderosas ferramentas evangelísticas. A história contada por um empresário judeu bem-sucedido, Stan Telchin, em Betrayed! [Traído!], foi traduzida para mais de 30 idiomas. Centenas de leitores judeus dessa história depositaram sua fé em Cristo. Ela está incluída na seção bibliográfica, juntamente com outros testemunhos de judeus que são médicos, advogados ou pianistas.

Um missionário bem versado em mídia: rádio secular, televisão, mídia impressa e Internet podem ser recursos valiosos para comunicar o evangelho no discurso público. Portanto, é necessário que a Igreja e as missões judaicas desenvolvam e mantenham estratégias para incentivar oportunidades na mídia local, nacional e internacional. Isso inclui saber como e quando escrever comunicados de imprensa que chamam a atenção, cultivar contatos na mídia, aproveitar ao máximo uma história e estar pronto para comentar sobre acontecimentos atuais relacionados a judeus em todo o mundo. Cinco anos atrás, um líder conhecido de uma missão aos judeus (junto com dois rabinos e um educador cristão) foi entrevistado no programa “Larry King Live” da CNN nos EUA. No entanto, esse programa tem sido retransmitido em Israel e na América do Norte e movido corações espiritualmente até hoje. A Igreja precisa saber o que dizer e quando dizer ao usar mídia como recurso evangelístico.

(d) Treinamento e formação

O treinamento de liderança e a formação de missionários judeus e obreiros da Igreja são investimentos de longo prazo na área de evangelização dos judeus. É necessária uma visão mais ampla.

(I) Evangelização de judeus em faculdades teológicas e seminários

Muitas faculdades teológicas e seminários oferecem oportunidades para estudar em Israel. Alguns, como a Faculdade Nyack em Nova Iorque, a Universidade Bíblica de Filadélfia e o Instituto Bíblico Moody em Chicago, optaram por enfatizar a evangelização dos judeus. De um modo geral, a tarefa de gerar entusiasmo sobre missões aos judeus é relegada às agências de missões aos judeus. É difícil encontrar uma plataforma para incentivar a evangelização entre judeus em algumas faculdades teológicas. Assim, as missões aos judeus geralmente precisam encontrar meios criativos de informar os estudantes cristãos sobre oportunidades de evangelismo de curto prazo, estágios e a possibilidade de servir no campo. Para aumentar a conscientização e o entusiasmo pela evangelização dos judeus, os programas de missões podem incluir debates, palestras e cursos sobre judaísmo nas faculdades teológicas e nos seminários.

(II) Treinamento para liderança em evangelização de judeus

O treinamento de liderança para o missionário entre os judeus do século 21 requer preparação especializada para atender às tendências emergentes no campo. Programas de pós-graduação estão sendo desenvolvidos para equipar os líderes de missões entre judeus para atender às tendências sociológicas, como casamentos mistos e trabalho com jovens. Também existe necessidade de programas de mentoria mais ativos.

(III) Oportunidades para adolescentes e universitários cristãos

Jovens judeus crentes em Jesus estão interessados na evangelização de judeus. Para incentivar esse interesse, as agências de missões entre judeus precisam desenvolver programas para iniciantes. Por exemplo, Judeus para Jesus oferece Halutzim, uma viagem de estudo para judeus crentes de 16 a 18 anos. Eles viajam para uma cidade grande, como Nova Iorque, para participar de treinamento e experiências de evangelismo de rua. Eles também experimentam um pouco do lado judeu de Nova Iorque, têm tempo de comunhão com crentes judeus locais da mesma faixa etária e tempo para estudar a Bíblia e buscar a direção de Deus para suas vidas.

Universitários crentes judeus também podem participar do Projeto Josué, com duas semanas de treinamento em evangelismo na terra e com o povo de Israel. O Projeto Josué ocorre durante o intervalo escolar de dezembro, começando em Nova Iorque com palestras e treinamento básico para evangelismo em Israel. Os alunos são munidos de folhetos do evangelho e cópias do Novo Testamento Hebraico. Eles evangelizam por meio da distribuição de folhetos e conversas individuais nas ruas de Jerusalém, Haifa e Tel Aviv. Eles também têm aulas de geografia e histórica bíblica. Além de explorar Israel, eles se encontram com universitários judeus e árabes de Israel. A missão Chosen People Ministries também oferece a excursão eXperience Israel, uma viagem de treinamento e missões de duas semanas em Israel para pessoas entre 18 e 30 anos de idade e a excursão Teen STEP, uma viagem missionária de uma semana em Nova Iorque para jovens entre 14 e 17 anos de idade.

Programas de acampamento para jovens nos EUA fazem parte da Aliança Judaica Messiânica da América (MJAA) e da União das Congregações Judaicas Messiânicas (UMJC) e o acampamento Camp Gilgal do grupo Judeus para Jesus. Atualmente, esse último opera quatro acampamentos regionais para jovens e universitários judeus crentes e não-crentes nos EUA. Existe uma variedade de acampamentos e conferências para jovens operando em Israel sob a égide de congregações e agências missionárias.

Os crentes judeus mais jovens precisam de oportunidades para discipular e evangelizar outros jovens da mesma idade. A Igreja e estrategistas de missões podem ajudar, incentivando os jovens judeus a investir suas vidas para alcançar outros jovens judeus com o evangelho. Muitos jovens que participam dos programas acima continuam no campo da evangelização dos judeus.

(e) Cooperação e networking: missões aos judeus e a Igreja

As sociedades missionárias judaicas buscam facilitar ao máximo a cooperação mútua e com a Igreja. De muitas maneiras, isso já está acontecendo. Isso dá esperança de novas parcerias, que certamente são necessárias em um mundo missionário cada vez mais globalizado.

(I) Networking entre missões judaicas

A Consulta de Lausanne sobre a Evangelização dos Judeus (CLEJ) é uma rede de agências missionárias e indivíduos comprometidos com a parceria e cooperação no evangelismo. A declaração da conferência da CLEJ em Helsinque 2003: “Jesus e Seu Povo” diz: “Exortamos uns aos outros, como obreiros dos ministérios de evangelismo, ensino e plantação de igrejas, a trabalhar em cooperação para reconciliar Jesus e Seu Povo.[3] Os objetivos singulares da CLEJ incluem a troca de informações e recursos com outros obreiros no campo da evangelização de judeus. Parcerias e cooperações evangelísticas incentivam o uso eficiente dos recursos de Deus para a causa da evangelização dos judeus. O Apêndice A contém mais informações.

(II) Prestação de contas financeiras à comunidade cristã

Missões entre os judeus são uma espécie de ministério de “nicho”, com uma população-alvo de apenas quatorze milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo. Elas enfrentam muitos desafios singulares. Um deles diz respeito a relatórios e prestação de contas aos mantenedores cristãos. A pergunta é frequentemente colocada: “Quantos judeus se converteram a Cristo este ano?” A resposta não é particularmente impressionante na maioria dos casos. A evangelização dos judeus raramente teve resultados como os das cruzadas de Billy Graham. Ela se assemelha mais a uma colheita manual em que os frutos são coletados um a um. No entanto, as missões se sentem pressionadas a apresentar relatórios impressionantes. Elas são tentadas a enfatizar sucessos e minimizar falhas. Consequentemente, alguns relatórios são vagos e pouco específicos com relação ao trabalho missionário. Para citar o falecido Menahem Benhayim, um líder messiânico pioneiro em Israel, a falta de informações concretas muitas vezes levou a estimativas exageradas e publicidade enganosa quanto ao tamanho e à extensão do movimento. Muitas das informações promulgadas foram alimentadas por extremistas anti-missão e algumas vezes por entusiastas cristãos e messiânicos bem-intencionados para incentivar amigos e mantenedores com relação ao crescimento e o impacto do movimento na comunidade judaica em Israel; e também houve mentirosos descarados que inventaram histórias de sucesso para seus mantenedores.[4]

Alguns líderes de missões temem que, se as pessoas souberem os números, estarão menos dispostas a sustentar os trabalhos. Ainda assim, mesmo aqueles que relatam estatísticas precisas podem dar a impressão errada. Ocasionalmente, os anti-missionários recebem renda anual da missão e dividem isso pelo número de judeus que, segundo eles, fizeram uma profissão de fé. Eles usam os números para equiparar cada “convertido” a um valor monetário. É um método que se destina a desencorajar os cristãos de sustentar a evangelização dos judeus. Os opostos à evangelização dos judeus querem que a Igreja pense que pode “ganhar mais” investindo em outros lugares, já que as almas judaicas não são baratas para o orçamento da missão! No entanto, a prestação de contas entre as missões aos judeus e as Igrejas que as mantêm apenas incentiva a parceria em um campo difícil e a necessidade e o valor do sustento.

(III) Cooperação com a Igreja em oração/intercessão

O apóstolo Paulo ofereceu estas palavras: “Irmãos, o desejo de meu coração e minha oração a Deus é que o povo de Israel seja salvo” (Romanos 10.1). A paixão na proclamação do evangelho deve ser sustentada pelo fervor da oração intercessora como ministério sacerdotal do evangelismo.

A Igreja pode promover o trabalho da evangelização dos judeus por meio da inclusão da salvação dos judeus na agenda de oração. Grupos para-eclesiásticos, como Watchmen on the Wall, consideram a oração pelo povo judeu e Israel como seu principal ministério. Esses grupos são conhecidos por conduzir vigílias de oração em nome do povo judeu e de Israel.

(IV) Cooperação por meio de missões de solidariedade

O povo judeu geralmente é considerado filantrópico. É apropriado que as missões ao povo judeu procurem ajudar os necessitados. Existem várias missões de solidariedade, muitas ajudando o povo judeu em Israel, na antiga União Soviética e na Etiópia.

Por exemplo, a Aliança Judaica Messiânica da América patrocina o Projeto José. Ela fornece alimentos, roupas, artigos de higiene, suprimentos médicos, brinquedos, materiais de construção e outras necessidades para pessoas carentes em Israel. O Fundo de Emergência Aliyah da Rússia ajuda os judeus russos a imigrar para Israel. O Fundo Judaico Messiânico de Israel ajuda a atender às necessidades financeiras dos judeus messiânicos em Israel e a Operação Tikvah ajuda judeus na Etiópia. Muitos desses esforços envolvem projetos missionários de curto prazo para oferecer ajuda e consolo. Cristãos gentios que têm compaixão pelo povo judeu e especificamente Israel formaram agências como os Amigos Cristãos de Israel. As missões de solidariedade no Corpo de Cristo estabelecem uma conexão metodológica apropriada entre suas iniciativas de assistência e a proclamação do evangelho.

(V) A Igreja nos países emergentes e a evangelização dos judeus

Um crescimento extraordinário está ocorrendo na igreja nos “países emergentes”. A maioria da Ásia, África e América Latina possui populações pequenas de judeus. No entanto, as igrejas nessas regiões têm a mesma obrigação de orar pelo povo judeu e encorajar sua evangelização que as igrejas em qualquer outro lugar.

Um modelo útil é encontrado na rede CLEJ no Japão. Através dos esforços da CLEJ Japão, palestrantes de missões aos judeus vão ao Japão para ensinar e inspirar grupos de igrejas locais. A rede de agências do Japão também organiza grupos de oração locais, organiza excursões bíblicas a Israel e produz literatura apropriada. Líderes de países emergentes podem se conectar a missões com um chamado especial à evangelização dos judeus, à construção de pontes de encorajamento, à oração e à comunhão.

A seguir, apresentamos algumas sugestões práticas para permitir que a Igreja nos países emergentes seja uma parte vital do trabalho de evangelização dos judeus:

  1. Orar para que Deus envie missionários ao povo judeu.
  2. Organizações cristãs mundiais no ocidente que possam angariar fundos para enviar pastores e teólogos de países emergentes para estudar em Israel e aprender sobre a evangelização dos judeus e as raízes judaicas da fé cristã.
  3. Orar fielmente pela salvação do povo judeu.
  4. Garantir que as bibliotecas de instituições teológicas nos países emergentes tenham literatura e periódicos sobre evangelização de judeus.

Hoje oramos: Pai Nosso que estás no céu

Durante o Fórum de Evangelização Mundial de 2004, perguntamos a nós mesmos o que Deus está dizendo à Igreja. O que a palavra de Deus diz sobre o povo judeu e sobre compartilhar as boas novas com eles? Hoje oramos:

  • Senhor, dá a Tua igreja uma nova paixão pelo povo judeu, uma paixão arraigada no Teu amor por eles e que abençoa esse povo e ora por sua paz e salvação.
  • Senhor, dá a Tua igreja uma nova visão, uma visão que valoriza a presença de crentes judeus na Tua igreja e que anseia por reunir todo o povo judeu e as nações.
  • Senhor, dá a Tua igreja um novo chamado para compartilhar as boas novas em palavra e ação com o povo judeu em todos os lugares e viver sua grande comissão de Jerusalém e até os confins da terra.

Pai nosso, que estás no céu,
santificado seja o Teu nome.
Venha a nós o Teu reino,
seja feita a Tua vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoa-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.
Porque Teu é o reino, o poder
e a glória para sempre.
Amém.

 

Apêndice A

Consulta de Lausanne sobre a Evangelização dos Judeus (CLEJ)

A CLEJ é a única organização global atual em que as pessoas envolvidas no campo da evangelização dos judeus podem se reunir e…

  • Compartilhe informações e recursos;
  • Analisar as tendências atuais;
  • Estimular o pensamento uns dos outros sobre questões teológicas e missiológicas;
  • Planejar estratégias em nível global para que mais judeus ouçam e reflitam sobre as boas novas de Jesus;
  • Organizar consultas que serão úteis para os obreiros envolvidos na evangelização dos judeus.

Como isso começou?

Em 1980, a Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (CLEM) patrocinou a Consulta sobre Evangelização Mundial (CEM) em Pattaya, Tailândia. “Alcançar judeus” foi um dos 17 minigrupos consultivos naquele evento. Este grupo continuou como uma força-tarefa, agora chamada de Consulta de Lausanne sobre a Evangelização dos Judeus (CLEJ).

O que aconteceu desde então?

A CLEJ se reúne para consultas internacionais a cada 3-4 anos e mais frequentemente a nível regional. Existem comissões na América do Norte, América do Sul, Europa, Israel, África do Sul, Austrália e Japão. Na Alemanha e na Finlândia, existem grupos locais da CLEJ.

O Boletim CLEJ é publicado trimestralmente para manter seus membros a par do que está acontecendo entre conferências internacionais. Ao longo dos anos, muito material escrito foi coletado: relatórios sobre o trabalho missionário entre judeus em diferentes partes do mundo, história dos judeus crentes, questões teológicas etc. Parte do material de conferências mais recentes pode ser encontrada on-line no site www.lcje.net.

Quem pode participar da CLEJ?

Agências de evangelização aos judeus, congregações envolvidas em evangelização aos judeus, estudiosos e autores no campo, obreiros de agências individuais e líderes congregacionais.

Qualquer agência, congregação ou indivíduo recomendado por dois outros membros pode se associar. Todos os membros precisam estar de acordo substancial com o Pacto de Lausanne. On-line: http://www.Gospelcom.net/lcwe/covenant.html.

Comissão de Coordenação Internacional (CCI) – 2003-2007

Tuvya Zaretsky, EUA (Presidente)
Kai Kjær-Hansen, Dinamarca (Coordenador Internacional)
Derek Leman, EUA (Membro da Comissão)
Lisa Loden, Israel (membro do comitê)
Endereço internacional
LCJE, Ellebækvej 5, Box 11, DK-8520 Lystrup, Dinamarca E-mail: lcje-int@skjern-net.dk
Site: www.lcje.net

 

Apêndice B

Declarações da CLEM em apoio à evangelização dos judeus

Testemunho cristão para o povo judeu (1980)

Elaborado por membros da “Mini-Consulta sobre Alcançar o Povo Judeu” em Pattaya, Tailândia em 1980 e patrocinado pela CLEM. On-line: http://www.Gospelcom.net/lcwe/LOP/lop07.htm.

O último parágrafo do relatório diz:

Incluir o povo judeu é um teste da nossa disposição de estarmos envolvidos na evangelização mundial. É um teste da nossa fé no único caminho exclusivo de salvação e da nossa proclamação de Cristo como um Salvador adequado para aqueles que são aparentemente adequados no que diz respeito à justiça mundana.

A Declaração de Willowbank sobre o evangelho cristão e o povo judeu (1989)

A Declaração saiu de uma consulta teológica realizada em Willowbank, Bermuda, que foi patrocinada pela World Evangelical Fellowship (WEF) e apoiada pela Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (CLEM) em 1989. Online: www.lcje.net.

O texto a seguir foi extraído do preâmbulo:

Nos últimos anos, os judeus “messiânicos” crentes em Jesus, que como cristãos celebram e maximizam sua identidade judaica, emergiram como evangelistas ativos da comunidade judaica. Os líderes judeus frequentemente os acusavam de engano, alegando que não é possível ser judeu e cristão. Embora essas críticas possam refletir o esforço atual do judaísmo para se definir como uma religião distinta em oposição ao cristianismo, elas causaram muita perplexidade e alguns mal-entendidos e desconfianças.

Manifesto de Manila (1989)

Este documento foi divulgado pela CLEM no Segundo Congresso Internacional sobre Evangelização Mundial em Manila. On-line: http://www.Gospelcom.net/lcwe/statements/manila.html.

O parágrafo a seguir é de uma seção sobre a singularidade de Jesus Cristo para a salvação:

Algumas vezes afirma-se que, em virtude da aliança de Deus com Abraão, o povo judeu não precisa reconhecer Jesus como seu Messias. Afirmamos que eles precisam Dele tanto quanto qualquer outra pessoa, que seria uma forma de antissemitismo, além de ser desleal a Cristo, se afastar do padrão do Novo Testamento de levar o Evangelho “primeiro ao judeu…” Rejeitamos, portanto, a tese de que os judeus têm sua própria aliança que torna desnecessária a fé em Jesus.

 

Apêndice C: população judaica

Países com a maior população judaica da diáspora[5]

Estados Unidos 5.800.000
Israel 5.094.200
França 498.000
Canadá 370.500
Reino Unido 300.000
Rússia 252.000
Argentina 187.000
Alemanha 108.000
Austrália 100.000
Brasil 97.000
Ucrânia 95.000
África do Sul 75.000
Hungria 50.000
México 40.000
Bélgica 31.400

Áreas metropolitanas com as maiores concentrações de judeus (fora de Israel)

Nova Iorque, EUA 2.051.000
Los Angeles, EUA 668.000
Sul da Flórida, EUA 498.000
Filadélfia, EUA 285.000
Paris, França 284.000
Chicago, EUA 265.000
Boston, EUA 254.000
São Francisco, EUA 218.000
Londres, Reino Unido 195.000
Toronto, Canadá 175.000
Buenos Aires, ARG 168.000
Washington, DC 66.0000

Apêndice D: Ministério com casais mistos

Um número crescente de casais mistos nas comunidades judaicas do mundo apresenta uma oportunidade missiológica significativa, especialmente na América. Estudos sociológicos indicam que os casamentos exógamos correm um risco maior de terminar em divórcio do que casamentos nos quais a etnia e a religião dos parceiros são iguais. Portanto, um número crescente de casais judeo-gentios está buscando recursos para preservar os relacionamentos entre esposas transculturais e para criar filhos bi-culturais.

Os evangélicos deveriam ver o casamento misto como uma oportunidade missiológica. Pesquisas recentes indicam que um dos maiores desafios relatados por casais judeo-gentios na América é o desejo de harmonia espiritual.[6] É possível apresentar esses casais culturalmente mistos à unidade espiritual por meio da apresentação sensível das boas novas em Jesus Cristo.

A comunidade judaica americana está passando por uma dramática mudança cultural com taxas de casamentos mistos nos últimos quinze anos acima de 50%. Casais inter-religiosos frequentemente descrevem se sentir como se estivessem à margem de suas respectivas comunidades cristãs e judaicas. O missiólogo americano Paul E. Pierson observou que “os movimentos de renovação e missão normalmente têm crescido na periferia da Igreja em geral e geralmente têm uma certa tensão com ela”.[7] Aqui, então, é um lugar para trabalhar e orar por uma nova iniciativa do Espírito Santo entre judeus e gentios.

As igrejas cristãs geralmente não têm um ministério evangelístico especial para os cônjuges judeus de seus membros gentios. O clero cristão não se preocupa com a sobrevivência da comunidade em face do casamento misto, como é o caso da comunidade judaica. A porcentagem de cristãos que se casam com judeus é relativamente insignificante comparada à proporção de judeus que se casam “fora” de sua comunidade. Portanto, os cristãos não sentem a mesma urgência em tomar medidas dramáticas quanto os líderes judeus americanos. Algumas congregações messiânicas se concentraram no ministério para casais judeo-gentios; mas muito mais poderia ser feito.

O pastor Scott Brown e a congregação Son of David em Rockville, Maryland, dedicaram-se em particular a acolher casais judeo-gentios. Eles também proclamam a Messianidade de Jesus sem constrangimento sobre a causa da evangelização de judeus.[8]

Outro recurso para ministérios com casais mistos é um projeto de vídeo da Chosen People Productions em Nova Iorque. “Unidos?” foi produzido profissionalmente em 2002. O vídeo de quarenta e cinco minutos oferece testemunhos para “descobrir uma base espiritual para a unidade em seu casamento inter-religioso”.

Ministério com casamentos mistos: estudo de caso

O estudo de caso a seguir é uma ilustração de prática eficaz no ministério com um casal judeo-gentio na costa oeste dos Estados Unidos. (Os nomes “Marc” e “Sharon” são pseudônimos):

Marc foi criado em Nova Iorque, filho de sobreviventes do holocausto e judeu praticante. Quando eu o conheci, ele estava morrendo de câncer no abdômen. Na época da nossa primeira

visita, ele estava morando com Sharon. Ela era uma cristã que não andava com o Senhor há vários anos. Foi o diagnóstico de doença terminal de Marc que reacendeu o amor dela pelo Senhor. Também a obrigou a encontrar uma maneira de compartilhar a esperança da vida eterna com Marc.

Ele estava culturalmente condicionado a rejeitar a mensagem cristã. Nós nos reunimos para conversar sobre a base bíblica do casamento, não como ele poderia encontrar o Messias. No entanto, ao ler a Bíblia, sua curiosidade sobre o Deus vivo aumentou. Por fim, Marc queria saber o que Sharon acreditava que estava lhe dando paz diante de sua eminente separação pela morte.

Eventualmente, Marc encontrou harmonia espiritual com Sharon, através do evangelho. Ele chegou à fé apenas nove meses antes de morrer como resultado da sua longa batalha contra o câncer. Através de sua fé na salvação de Jesus, ele e Sharon encontraram uma base sobre a qual compartilhar sua vida juntos que antes era impossível.

A pedido de Marc, conduzi seu enterro. Ele deu instruções específicas para contar à sua família judia sobre Jesus. Marc encontrou paz em conhecer o Messias de Israel durante seus últimos meses de vida com Sharon, mas a esperança para os outros permanece em seu testemunho.

Por Tuvya Zaretsky, Judeus para Jesus, Los Angeles

Bibliografia

História e Teologia: judeus crentes em Jesus e missões

Ariel, Yaacov. Evangelizing the Chosen People: Missions to the Jews in America, 1880- 2000. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 2000. Uma pesquisa abrangente da história da evangelização moderna dos judeus nos EUA, escrita por um judeu não-crente.

Cohn-Sherbok, Dan. Messianic Judaism. Nova Iorque: Cassell, 2000. Um rabino não-crente descreve a história e as crenças do movimento messiânico moderno, defendendo a autenticidade do judaísmo messiânico como um ramo legítimo do judaísmo dentro de um modelo pluralista.

Crombie, Kelvin. For the Love of Zion. Londres: Hodder & Stoughton, 1991. Sobre testemunho cristão, a restauração de Israel e a história por trás do ministério da Igreja de Cristo em Jerusalém.

Fruchtenbaum, Arnold. Hebrew Christianity: Its Theology, History and Philosophy. Tustin, CA: Ariel Ministries Press, 1983. Dá a base teológica para o cristianismo hebraico e sugestões práticas para a identidade e prática cristã hebraica.

Gundry, Stanley N. e Louis Goldberg, orgs. How Jewish is Christianity: Two Views on the Messianic Movement. Grand Rapids: Zondervan, 2003. Uma discussão sobre a lógica, a base bíblica e a prática da fé messiânica e do judaísmo messiânico.

Kjær-Hansen, Kai e Bodil F. Skjøtt. Facts & Myths About the Messianic Congregations in Israel. Jerusalém: United Christian Council in Israel & Caspari Center for Biblical and Jewish Studies, 1999. (= Mishkan 30-31, 1999). Dados detalhados sobre associação, frequência, qualificação de líderes e características teológicas de 81 congregações e grupos judeus messiânicos.

Kjær-Hansen, Kai. Joseph Rabinowitz and the Messianic Movement. Grand Rapids: Eerdmans, 1995. Estudo detalhado de um importante pioneiro do movimento messiânico contemporâneo, considerando estratégia de missão, teologia, relacionamento com agências missionárias e denominações da igreja.

Maoz, Baruch. Judaism is Not Jewish: A Friendly Critique of the Messianic Movement. Reino Unido: Mentor: Christian Focus Publications and Christian Witness to Israel, 2003. Uma pesquisa crítica da teologia e prática do movimento messiânico em Israel e nos EUA.

Pritz, Ray. Nazarene Jewish Christianity: From the End of the New Testament Period Until Its Disappearance in the Fourth Century. Leiden: E.J. Brill, 1988. Um importante estudo histórico dos cristãos judeus nos primeiros séculos.

Sevener, Harold A. A Rabbi’s Vision: A Century of Proclaiming Messiah, A History of Chosen People Ministries. Charlotte, NC: Chosen People Ministries, 1994. A brilhante história de uma das mais antigas missões judaicas dos EUA.

Skarsaune, Oskar. In the Shadow of the Temple: Jewish Influences on Early Christianity. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2002. Uma nova perspectiva sobre o desenvolvimento da igreja primitiva e a interação entre a igreja e a antiga sinagoga.

Stern, David H. Messianic Jewish Manifesto. Jerusalém: Jewish New Testament Publications, 1988. Um texto programático chave para o desenvolvimento teológico do judaísmo messiânico.

Tucker, Ruth A. Not Ashamed: The Story of Jews for Jesus. Sisters, OR: Multnomah Publishers, 1999. Um missiólogo e historiador fornece informações e análises das pessoas e dos métodos usados nos primeiros vinte e cinco anos desta missão judaica.

Biografias e testemunhos

Bernstein, A. Some Jewish Witnesses for Christ. Londres: Operative Jewish Christian Institution, 1909. Reimpressão Jerusalém: Yanetz Publishers, 2001. Uma pesquisa mais antiga de testemunhos individuais de judeus crentes, a maioria dos quais entrou para o serviço missionário.

Cohen, Steve. Disowned. São Francisco: Purple Pomegranate Productions, 1995. O testemunho do atual diretor da Apple of His Eye, sociedade missionária judaica dos EUA do Sínodo da Igreja Luterana de Missouri.

Guinness, Michelle. Child of the Covenant. Londres: Hodder and Stoughton, 1985. Com perspicácia e humor, uma escritora e radialista conhecida no Reino Unido, casada com uma família famosa pelo trabalho missionário e pela produção de cerveja, conta sua história da sua conversão e seu casamento com um clérigo anglicano.

Rosen, Ruth. Jesus for Jews. São Francisco: A Messianic Jewish Perspective, 1987.

Testemunhos de judeus de diversas origens que creram em Jesus.

                                                    . Jewish Doctors Meet the Great Physician. São Francisco: Purple Pomegranate Productions, 1988. Testemunhos de médicos judeus que depositaram sua fé em Jesus.

Runge, Albert. A Brooklyn Jew Meets Jesus. Camp Hill, PA: Christian Publications, 2001. Um obreiro da missão Chosen People Ministries conta sua própria história de conversão apesar das objeções judaicas tradicionais.

Telchin, Stan. Betrayed. Grand Rapids: Chosen Books, 1981. A jornada de fé em Jesus de um próspero executivo de seguros e líder da sinagoga.

Ferramentas para o ministério entre judeus

Brown, Michael L. Answering Jewish Objections to Jesus. Grand Rapids: Baker Books.

2000, 2003. 3 volumes de informações apologéticas completas e atualizadas.

Cohen, Steve. Beginning from Jerusalem. St. Louis: Apple of His Eye Mission Society, 2001. Um judeu crente em Jesus e líder de missão oferece ideias sobre o evangelismo judaico, especialmente para os luteranos americanos.

Goldberg, Louis. Our Jewish Friends. Neptune, NJ: Loizeaux Brothers, 1977. Conselhos sobre evangelização de judeus do ponto de vista de um judeu crente em Jesus, acadêmico e ex-professor de judaísmo no Moody Bible Institute, Chicago.

Leman, Derek. Jesus Didn’t Have Blue Eyes: Reclaiming Our Jewish Messiah. Stone Mountain, GA: Mt. Olives Press, 2004. Um breve relato do caráter judaico de Jesus.

Rosen, Moishe e Ceil. Witnessing to Jews. São Francisco: Purple Pomegranate Productions, 1998. Um manual prático de lições criativas sobre evangelização de judeus, escrito para cristãos por um pioneiro missionário moderno, estadista e sua esposa.

Wan, Enoch e Tuvya Zaretsky. Jewish-Gentile Couples: Trends, Challenges and Hopes. Pasadena: William Carey Library. 2004. Pesquisa sobre as dificuldades encontradas pelos casais judeo-gentios com discernimento e algumas estratégias práticas para ministrar a eles.

Mídia: vídeos e CD

Forbidden Peace: The Story Behind the Headlines. São Francisco: Purple Pomegranate Productions, 2004, VHS e DVD. Vários israelenses e palestinos compartilham relatos pessoais de como eles se reconciliaram com Deus através de Jesus e como eles encontraram verdadeira paz uns com os outros.

Joined Together? Nova Iorque: Chosen People Productions, 2002. Vídeo de 45 minutos que fornece testemunhos para a descoberta de uma base espiritual para a união no casamento inter-religioso.

Survivor Stories: Finding hope from an unlikely source. São Francisco: Purple Pomegranate Productions, 2001, 2004, VHS e DVD. Sobreviventes do Holocausto judeu contam como suportaram um “inferno na terra” para se tornarem crentes em Jesus.

Revistas acadêmicas

Mishkan.  Jerusalém: Caspari Center for Biblical and Jewish Studies. Revista dedicada ao pensamento bíblico e teológico sobre questões relacionadas à evangelização de judeus, identidade hebraico-cristã/messiânica-judaica e relações judaico-cristãs.

Kesher. Albuquerque, NM: Union of Messianic Jewish Congregations. Revista sobre judaísmo messiânico que fornece um fórum para tratar das questões enfrentadas pelo judaísmo messiânico contemporâneo.

Bibliotecas

Várias organizações missionárias compilaram bibliotecas de recursos. A maior, composta por cerca de 6.000

volumes, encontra-se na sede internacional do ministério Judeus para Jesus em São Francisco, Califórnia.

Recursos Produzidos pela CLEJ

LCJE Bulletin, edição 77, publicada em agosto de 2004. Edições recentes podem ser encontradas on-line no site www.lcje.net

Anais do material da conferência CLEJ Internacional:

LCJE Zeists 91, Quarta Conferência Internacional 1991, vol. 1-4. LCJE Jerusalem 95, Quinta Conferência Internacional 1995, vol. 1-5. LCJE New York 99, Sexta Conferência Internacional 1999, vol. 1-5.

LCJE Helsinki, Finland 2003, Sétima Conferência Internacional, vol. 1-5. Trabalhos de conferências da CLEJ América do Norte; veja www.lcje.net .

Informações sobre revistas e boletins publicados pelos ministérios membros da CLEJ podem ser encontradas no site www.lcje.net .

Projeto História das Missões entre Judeus, consulte www.lcje.net/history. Uma biblioteca digital on-line de documentos de fontes primárias da história das missões entre os judeus, particularmente aquelas anteriores a 1945.

 

As citações das Escrituras são da Nova Versão Internacional da Bíblia.

 

[1] Veja Wan e Zaretsky, Jewish-Gentile Couples, (2004), (cf. Bibliografia).

[2] Veja Rich Robinson, “Using the Internet in Evangelism”, no LCJE Bulletin 69 (agosto de 2002), 10-14.

Online: www.lcje.net

[3] Boletim CLEJ, 73 (setembro de 2003), 5. Site: www.lcje.net.

[4] Cf. Lisa Loden, “Facts & Myths: A Selective Evaluation” em Mishkan 32 (2000), 11.

[5] Veja David Singer e Lawrence Grossman, eds., 2003 American Jewish Year Book: the Annual Record of Jewish Civilization, 103, (New York: The American Jewish Committee, 2003).

[6] Veja Wan e Zaretsky, Jewish-Gentile Couples, (2004), 98, (cf. Bibliografia).

[7] Pierson, Paul E, Emerging Streams of Church and Mission, (Pattaya: Forum for World Evangelization, 2004), 1-3.

[8] Consulte o site www.sonofdavid.org.

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